Sabatina

Moro diz que vai a debate e nega querer “pegar carona” na popularidade de Ratinho Júnior

A imagem mostra Sergio Moro falando ao microfone no plenário do Senado Federal.
Sergio Moro é candidato ao governo do Paraná pelo PL. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, participou nesta segunda-feira (14) de entrevista no Meio-Dia Paraná, da RPC. Durante a sabatina, ele falou sobre os gastos de R$ 720 mil em cota parlamentar em 2025 e prometeu cobrar mais eficiência na operação da Copel se eleito para chefiar o Executivo paranaense.

Também minimizou contradições em sua proximidade com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e Flávio Bolsonaro (PL), ambos alvos de investigações de corrupção, e negou estar tentando se beneficiar da popularidade do atual governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), ao se dizer seu “aliado”.

O governador pediu e conseguiu na Justiça Eleitoral, no último fim de semana, o direito de resposta dentro da propaganda de Moro sobre a aliança citada pelo senador, além de uma decisão que veda a repetição da afirmação. Moro negou estar tentando usar a popularidade de Ratinho, mas justificou suas declarações:

“De forma nenhuma. Eu não sou adversário do governador Ratinho Júnior, nunca me coloquei dessa forma. Eu respeito a decisão [da Justiça Eleitoral], mas acho equivocada. Porque em 2018 eu assumi o governo de transição do presidente [Jair] Bolsonaro e nós começamos uma interlocução com os governadores. Tivemos uma parceria efetiva em projetos do governador”, disse.

Como exemplos, o candidato citou o projeto-piloto de segurança Em Frente Brasil, aplicado em São José dos Pinhais, e o Centro Integrado de Operações de Fronteiras, na região de Foz do Iguaçu. “Tem diversas fotos e vídeos em relação a isso. Em 2022, eu fui senador da coligação do governador. Nesse período a gente nunca se colocou como adversário”, completou.

Ainda sobre suas relações, ele foi questionado sobre o apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, envolvendo o caso do Banco Master. Para o senador, Flávio apresentou as explicações em relação ao episódio e “nunca obstruiu” as investigações. “Se surgirem fatos novos, novas revelações, ele que se explique. A gente não tem nenhum compromisso com o erro”, disse.

Discurso semelhante foi adotado sobre Valdemar Costa Neto, condenado no escândalo do Mensalão, em 2013, e investigado por suspeita de desvio de dinheiro público e associação criminosa em um esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares.

“O Valdemar foi condenado, cumpriu a sua pena, depois nunca mais ouvi falar de qualquer envolvimento em coisas erradas, coisas sólidas, pelo menos. E assim, vamos ser bem francos, ele não vai governar o Paraná. Quem vai governar o Paraná sou eu”, afirmou Moro.

O senador disse aos entrevistadores que pretende comparecer ao debate previsto pela RPC entre os candidatos ao governo do Paraná no dia 29 de setembro. “Eu não tenho nenhum problema com debate qualificado. Nós entendemos que os debates anteriores estavam em um momento prematuro”, disse. Moro desistiu de participar de dois debates anteriores, organizados pela Band e pela TMC Paraná, após ter confirmado presença.

Copel, cota parlamentar e corte de gastos

Ao comentar as críticas que tem feito à privatização da Copel, apesar de se posicionar a favor de desestatizações de forma geral, ele citou casos de prejuízos a produtores rurais, aumento nas quedas de energia e demora para o religamento. “A privatização é para ter mais eficiência na qualidade do serviço. Isso não aconteceu.”

Caso eleito, o candidato afirma que irá “exigir” um plano de investimento da empresa e “mudanças de direção que sejam necessárias”. Também prometeu colocar a Procuradoria-Geral do Estado à disposição para que pessoas prejudicadas possam pleitear indenizações na Justiça.

Ao responder a questionamentos sobre seu período como juiz federal, ele evitou dizer se considera ético e moral utilizar o auxílio-moradia que recebia como um aumento de salário, em um desvio de finalidade. “Acho que ninguém combateu mais a corrupção neste país do que eu na Operação Lava Jato. Aquilo, na verdade, todos os juízes federais recebiam e tinha o nome de auxílio-moradia, mas no fundo era um complemento salarial decorrente da falta de reajuste dos vencimentos durante um grande período”, afirmou.

Ele também foi perguntado sobre como pretende viabilizar o corte de despesas no estado, tendo sido o senador pelo Paraná que mais utilizou a cota parlamentar em 2025 (R$ 720 mil) e o oitavo senador em todo o país que mais gastou com deslocamentos, entre passagens aéreas e diárias de hospedagem (R$ 515 mil).

Segundo o ex-juiz, os valores foram empregados para ouvir a população paranaense. “Quando eu fui candidato em 2022, a maior reclamação que a gente ouvia, principalmente no interior do estado, era que eles nunca tinham visto um senador da República. Eu assumi o compromisso de que não ficaria restrito aos gabinetes em Brasília, seria um senador itinerante. Agora, se eu preciso fazer isso, gastar para poder visitar os municípios do Paraná e conversar com as pessoas, eu não me arrependo”, disse.

A respeito do corte de gastos no Executivo, ele afirmou que quer “cortar regulações e burocracias desnecessárias” e “emprestar a motosserra do Milei (Javier Milei, presidente argentino) para cortar desperdícios, privilégios e regalias”.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google