RATINHO PEDIU O NOME DE VOLTA
Sergio Moro tentou incorporar à campanha a ideia de que é aliado de Ratinho Junior desde 2018. O governador resolveu reagir de maneira menos sentimental: foi à Justiça Eleitoral, conseguiu impedir a repetição da afirmação e ainda terá direito de resposta dentro da propaganda do próprio Moro. A disputa pelo legado chegou a um ponto curioso. Antes de saber quem continuará a obra de Ratinho, a Justiça precisou entrar em campo para discutir quem pode contar sua história.
Moro queria dividir o patrimônio político. Ratinho começou pedindo o nome de volta.
O TCE AVISOU. A ÁGUA RESPONDEU
O Paraná começa a semana com comunidades isoladas, estradas comprometidas, famílias fora de casa e até Exército mobilizado depois dos temporais. O detalhe incômodo estava escrito antes de a chuva chegar: levantamento do TCE já havia mostrado que 60% dos municípios não possuíam estrutura física de Defesa Civil e 70% não tinham sistema de alerta à população.
A tempestade foi obra do clima. Estar preparado para ela era assunto da administração pública. Desta vez, o céu não trouxe apenas água. Trouxe auditoria.
A PONTE ABRIU. A FRONTEIRA AINDA NÃO
A Ponte da Integração começa nesta segunda-feira a receber carros particulares. Depois de anos em que a obra pronta parecia esperar a própria estreia, a abertura continua seletiva: vale para moradores de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias, das 7h às 13h e com a documentação exigida para o trânsito vicinal fronteiriço.
A segunda ponte finalmente chegou ao automóvel. Agora o automóvel precisa provar que pode chegar à segunda ponte.
A URNA CORRE MAIS QUE O PROCESSO
A Justiça Eleitoral chega nesta segunda a um prazo importante: os TREs devem ter julgados e publicados todos os registros de candidatura, inclusive os impugnados e seus recursos. O problema começa depois do ponto final. Decisões regionais ainda podem subir ao TSE, e outubro está logo ali. No Paraná, o registro de Deltan Dallagnol, aprovado por 4 a 3, é o melhor exemplo de uma candidatura liberada para correr enquanto o processo ainda pode continuar correndo atrás dela.
A eleição tem data para acontecer. O processo precisa aprender a acompanhá-la.
39 CANETADAS DE UMA VEZ
A ANTT começou a segunda-feira publicando 39 decisões sobre autorizações do transporte rodoviário interestadual. A Viação Garcia aparece em 14. Somada à Brasil Sul/Santo Anjo, do mesmo grupo empresarial, são 17 decisões, 43,6% do pacote. Ao todo, os atos alcançam 840 seções ou mercados e incluem ligações envolvendo o Paraná. Depois de tanta discussão sobre janela extraordinária, a agência resolveu abri-la de uma vez.
E teve empresa que passou quase com metade do corpo pela janela.
R$ 42,7 MILHÕES POR 54 CADEIRAS
A disputa pelas 54 vagas da Assembleia Legislativa já movimenta R$ 42,7 milhões entre 615 candidatos. Dá quase onze candidatos por cadeira, embora o dinheiro esteja longe de obedecer à mesma divisão democrática. A prestação parcial das campanhas terminou ontem e começará a mostrar com mais clareza quem recebeu combustível e quem está tentando chegar ao Centro Cívico na reserva.
A urna vale um voto por eleitor. A largada nunca prometeu tanta igualdade.
O ACOSTAMENTO FICOU PEQUENO
Lula dizia, em 2000, que “de terceira via, a única que eu conheço é o acostamento de estrada”. A Nexus parece ter reencontrado a frase 26 anos depois. Os candidatos que prometeram oferecer uma saída à polarização caíram de 21% para 15% em duas semanas. Cury está em 6%, Caiado em 5%, Renan Santos em 2% e Zema em 1%. O trânsito eleitoral continua congestionado por Lula e Flávio.
Para quem prometia uma rota alternativa, começa a faltar até acostamento.
O DINHEIRO EXISTE. O MAPA É OUTRO
O PL tem o maior Fundo Eleitoral do país, mas a abundância vista na conta nacional não aparece com a mesma nitidez quando a campanha chega aos estados. Candidatos reclamam de repasses seletivos, valores insuficientes e prioridades definidas longe de suas bases. No Paraná, Sergio Moro não entrou na fila dos desabastecidos: sua candidatura ao governo foi tratada desde o início como estratégica pela direção nacional.
Em outras praças, porém, a pergunta começa a circular com alguma insistência. Não é onde está o dinheiro. É quem decidiu o endereço.
TODO MUNDO PARA O PLENÁRIO
Alexandre de Moraes vai ao plenário do Supremo nesta terça-feira. Fachin chamou os onze ministros para decidir se existem elementos que justifiquem a abertura de investigação sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro. O celular do banqueiro entrou na disputa, Zanin determinou acesso ao material, Mendonça resiste ao compartilhamento integral e até um pedido de vista passou a integrar as possibilidades da sessão.
Depois de semanas de decisões individuais, acusações e ofícios cruzados, o Supremo resolveu enfrentar sua crise do jeito que tribunal deveria enfrentar: com todo mundo na sala.
A CONTA CHEGOU. O EXTRATO, AMANHÃ
Partidos e candidatos encerraram ontem a entrega das prestações parciais de campanha, com receitas e despesas realizadas até 8 de setembro. A Justiça Eleitoral abre agora uma fotografia muito mais precisa de quem financiou quem, quanto cada campanha recebeu e para onde o dinheiro começou a correr.
Para o eleitor, talvez seja a pesquisa mais interessante desta semana. Não pergunta em quem você pretende votar. Mostra quanto já custou tentar convencê-lo.
FACHIN MARCOU A OUTRA DATA
Alexandre de Moraes vai ao plenário nesta terça. André Mendonça já sabe quando chegará a vez dele: dia 23. Fachin separou os casos e decidiu levar também aos onze ministros os questionamentos sobre a atuação de Mendonça nas investigações do Master e do INSS. Não há, até aqui, conclusão de que tenha cometido crime. É justamente isso que o Supremo terá de examinar.
Fachin encontrou uma maneira peculiar de administrar a guerra entre os colegas: não escolheu quem tinha razão. Escolheu duas datas.
