Enquanto as discussões não acontecerem com todos os crachás sobre a mesa, os resultados nunca serão os melhores para o país. Falamos, novamente, da nossa classe política. Você tem acompanhado a tramitação da reforma da Previdência? Semana passada o texto base foi calorosamente discutido e aprovado na comissão especial da Câmara dos Deputados. Vai agora a plenário.

Lançar crachás à mesa antes de mergulhar na deliberação de algum assunto significa deixar de lado qualquer interesse pessoal, em prol de um bem maior. É formar convicção, defender princípios que conduzam a benefícios coletivos.

Não é segredo que o sistema previdenciário brasileiro é altamente deficitário. Arrecada, através da contribuição de quem está trabalhando, bilhões a menos do que é necessário pra pagar quem já parou de trabalhar. E o pior: nunca curva falimentar rápida e ascendente, capaz de levar o país à bancarrota em pouquíssimo tempo.

Mexer nesse vespeiro significa cessar privilégios e, em muitos casos, cortar da própria carne. Falamos de muitas regalias garantidas pela atual legislação. Algumas altamente imorais, outras até justificáveis, algumas necessárias. Já abordamos essas questões inúmeras vezes aqui.

A aprovação do texto base na comissão especial é uma boa notícia, pois mostra que a proposta está caminhando e transpôs importante etapa. Mas o projeto chega desidratado no plenário. Por birra e interesses eleitorais de alguns governadores, estados e municípios ficaram de fora. Como se as finanças locais estivessem todas no azul, com boas perspectivas.

A bancada ruralista também tirou carta da manga e, já na madrugada do último dia de trabalho, conseguiu inserir na redação destaque que alivia em mais de R$ 100 milhões os produtores rurais. Além de retirar trava que impedia perdão de dívidas do Funrural. Cadê o crachá na mesa?

O governo, por atuação direta do presidente Jair Bolsonaro, tentou a todo custo pactuar benefícios às classes policiais. E o PL, que integra o “Centrão”, bloco da maioria, queria manter as regras que atualmente beneficiam os professores. Mas essas ideias foram rejeitadas.

Agora no plenário, o nível de vigilância tem que aumentar. Os senhores deputados precisam demonstrar responsabilidade. O Brasil não escolha. A reforma da Previdência tem poder de abrir a porta de um novo ciclo virtuoso. O número mágico ainda beira o R$ 1 trilhão, economia esperada em 10 anos.

Idade mínima (65 anos para homens e 62 para mulheres) e tempo mínimo de contribuição (20 anos para homens e 15 para mulheres) são pontos centrais da proposta. Não se pode afrouxar nisso. Criar ou defender manutenção de privilégios, nem pensar. E que a Câmara consiga fazer um bom trabalho em prol do nosso futuro.