Cobrador-de-onibus É mais ou menos nesse clima que se discute a modernização do sistema de bilhetagem do transporte coletivo de Curitiba. Algo necessário, um caminho sem volta, que pode render benefícios a todos os envolvidos.

A principal melhoria vem no campo da segurança. O cartão-transporte, já utilizado por uma imensa maioria de usuários, passaria a ser o único meio de pagamento. E, com menos dinheiro circulando, diminui também a fome dos bandidos.

A vida de todos tende a ficar mais fácil e ágil na hora de embarcar no ônibus, sem a necessidade de contar dinheiro e conferir o troco. Basta entrar, encostar o cartão e passar pela roleta. Nas estações-tubo também.

A modernização abre oportunidade para que os funcionários que, atualmente, passam o dia sentados contando dinheiro, com suas vidas em risco, se qualifiquem pra desempenhar outras funções, inclusive com maiores ganhos.

E aqui chegamos ao grande xis da questão. É claro que toda evolução implica em mudanças, especialmente na vida das pessoas. É inevitável. Mas é burrice pensar que toda transição reflete apenas impactos negativos. Os cobradores estão bradando aos quatro cantos que a ampliação da bilhetagem eletrônica é o fim desta categoria de trabalho, o que é uma grande mentira. Curitiba conta com cerca de 3,4 mil cobradores. Destes, 2 mil serão afetados pelo sistema de cobrança eletrônica. Os postos de trabalho em terminais e estações-tubo serão mantidos. Apenas os ônibus deixarão de contar com cobradores embarcados.

E mais: atualmente, mais de 60% dos usuários do sistema de transporte da nossa capital já utilizam o cartão transporte. Isto é: de cada 10 passageiros que embarcam num ônibus, apenas quatro pagam com dinheiro. Os outros seis encostam o cartão no sensor e passam direto pela roleta. Na realidade, muitas vezes nem bom dia dão ao cobrador, reles espectador neste momento.

Impossível, portanto, não ser favorável à medida proposta. A prefeitura, através da Urbs, só tem que cuidar pra aumentar consideravelmente o número de postos de venda e carregamento dos cartões. Torcemos, também, pra que os atuais cobradores se redescubram e se qualifiquem pra novos desafios. As próprias empresas se comprometeram, na última Convenção Coletiva de Trabalho, a ajudar nisso. Vale a pena evoluir.

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