Lá atrás, já havia escrito, que qualquer final para essa novela de Rony, o Athletico sairia perdendo. Se fosse negociado, haveria uma brutal perda técnica, pois não há similar como ele no futebol brasileiro. E se ficasse, estaria criado o precedente de que um contrato não deve ser respeitado até o seu final.

Lá atrás, também havia escrito que qualquer conciliação seria um disfarce. O dono do Athletico, Mario Celso Petraglia, trata a divergência do jogador, como uma subversão ou uma ofensa. O anúncio do acerto de valores para o novo contrato foi uma farsa. E, não corro nenhum risco de erro, ao afirmar que o próprio Rony, jogando contra o Flamengo, tinha consciência de que não ficaria.

Rony foi embora do Furacão para jogar no Palmeiras. A motivação final não foi o aspecto financeiro, mas, a satisfação pessoal de Petraglia de se livrar de quem o contrariou. Deu o caminho das pedras para o futuro de outros jogadores e interesses de seus empresários. Basta contrariar as suas ordens e a sua vontade pessoal para receber a devida punição: ser vendido e ir ganhar dinheiro em um clube de ponta.

Todos, dos dois lados, de uma forma ou de outra, saíram ganhando. Rony porque assinou um contrato com o Palmeiras que irá lhe render R$12 milhões até 2024; e, Mario Celso Petraglia, porque, pensa que conseguiu “punir” o jogador.

Só o Athletico perdeu. Santos e Nikão, os únicos grandes jogadores remanescentes, podem exigir uma valorização dentro ou fora do Athletico. Se Rony pode, por que eles não podem? Mas, o goleiro Santos, por enquanto, deve ter desistido. Na linha de tiro, porque manifestara a vontade de ser operado pelo médico Edison Thielle, recuou.

Não sei se existe alguém que possa explicar a mente de Petraglia. Com o Athletico campeão nos últimos anos, com R$ 240 milhões aplicados, e uma torcida feliz, o cartola, usando Paulo André como executor, tem a capacidade de fazer arder a instituição, criando um ambiente de tensão, desconfiança e vingança.