Certa vez, o russo Tostói escreveu: “Conte da sua aldeia e estará falando do mundo”. Mais tarde, Fernando Pessoa, confessou: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha Aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”. 

Com o notável professor Carlos Alberto Sanchez estudando Literatura no Camões, aprendi que, em versos como esses, a aparente contradição conduz ao sentimento concreto. Como a aldeia de Tolstói e do rio da aldeia de Pessoa são maiores do que tudo, são os nossos valores. E esses se tornam mais importantes quando são transformados em uma cultura da “aldeia” em que vivemos.

No horário nobre, pro ser humano, das 19 horas, o Athletico joga contra o Santos.  Seria mais um, embora seja o último jogo do Furacão na Baixada neste Brasileirão.  Poderiam ser jogados interesses e pontos indisponíveis, mas não seriam tão relevantes. 

Mais importante que qualquer elemento externo, está a densidade do seu simbolismo. O jogo será a cena final do mais belo filme, rodado em 2019, da vida vivida pelo Athletico. Um filme tão belo, que o resultado da cena final é irrelevante. Mas, é preciso, gravá-la. Como o Athletico, jogando com sentimentos, consegue, em vida, processar um inventário de emoções, essa noite o atleticano não pode dispensá-la como uma noite qualquer. É um jogo para levar as famílias atleticanas. 

E, quem for, não verá um jogo qualquer, mesmo sendo o último, mesmo sendo o de despedida do Furacão. Se o Flamengo é incomparável, estarão em campo os times que jogam o melhor futebol do Brasil. Athletico e Santos, sem adotar a lei de ferro do conservadorismo, entram em campo como referências do futuro imediato que o futebol brasileiro está exigindo.

Justa causa

Sobre a passagem da nota do “Atlético de Novo “, que afirma que não fará composições. Perguntei: considerando que só há o CAPGigante disponível para a leilão, o “Atlético de Novo” se foi procurado, não quer compor com Petraglia? E, foi procurado? Se não foi deveria ter calado. Se foi e não aceitou, errou.

Recebo uma mensagem de Fernando Munhoz Ribeiro, atleticano e dos maiores. Diz aí, Fernando: “1. Não se pode compor quando há vetos a nomes que nos são caros; 2. Também não se pode compor quando sequer querem nos informar o nome que presidirá o Conselho Administrativo do clube. Penso que seriamos medíocres e irresponsáveis em aderir a uma chapa sem saber quem iria nos presidir.”

Os fundamentos encerram o assunto.  O “Atlético de Novo” com essa atitude preserva o único bastião de resistência contra atos que com certeza estão sendo escondidos pelos resultados. Voltarei ao assunto.