O ar parece faltar, o coração fica acelerado, o suor marca a roupa. Esses são apenas alguns sintomas de uma crise de síndrome do pânico. Outros são boca seca, tremores, tonturas e um mal-estar geral, acompanhados pela sensação de que algo terrível irá acontecer. O “surto” faz com que a pessoa acredite que irá morrer ou enlouquecer nos minutos seguintes. Esses eventos, geralmente causados pelo que os médicos reconhecem como ansiedade patológica, atingem de 2% a 2,5% da população mundial.

Apesar da alta incidência, a doença só foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há poucos anos. Antes, os sintomas muitas vezes eram associados às outras doenças e até chegar ao psiquiatra, o médico especializado para tratar o distúrbio, era comum que os pacientes “peregrinassem” por outros consultórios médicos sem ter o seu diagnóstico confirmado. “Os sintomas do transtorno do pânico são muito intensos, acima do que poderia ser considerado o limite de ansiedade normal, poderíamos dizer até que essa é a manifestação do grau mais alto de ansiedade”, afirma a psicóloga Adriana de Araújo, especializada no tratamento de fobias.

De acordo com os especialistas, a ansiedade é um estado emocional natural, e é completamente normal o sentimento de querer antecipar o futuro para evitar perigos ou tentar controlar danos no presente. A síndrome fica caracterizada quando essa ansiedade começa a causar sofrimento demais para a pessoa, complicando situações corriqueiras. A preocupação culmina nas crises, e a pessoa fica ainda mais ansiosa porque não sabe quando a próxima irá acontecer.

Estresse excessivo

De acordo com a terapeuta, geralmente, a síndrome do pânico acontece no começo da vida adulta, e aparece em situações de estresse, como pressões no trabalho, no casamento ou na família, em que a pessoa se sente desprotegida, sendo de duas a quatro vezes mais frequente nas mulheres. “Não é um único episódio de crise de ansiedade que caracteriza a síndrome do pânico, são necessárias crises repetidas para o desenvolvimento do transtorno”, observa a especialista.

Com a maior divulgação dos sintomas da doença, médicos não especializados e pacientes estão mais familiarizados com os sintomas. Ainda assim, os transtornos do pânico demoram a ser diagnosticados corretamente. A maioria dos pacientes passa por vários médicos de diferentes especialidades em busca de uma resposta e do tratamento para tamanha ansiedade, sem saber ou, às vezes, aceitar, que tantos sintomas físicos sejam proveniente de problemas emocionais. O psiquiatra Osmar Ratzke, comenta que o primeiro ataque de pânico costuma acontecer nos adultos jovens, entre 25 e 40 anos.

O especialista observa que, em geral, o pânico surge “do nada” e pode ocorrer enquanto a pessoa pratica suas atividades normais, no trabalho, no trânsito ou em casa. “A crise inicial se dá, geralmente, quando as pessoas se encontram em um elevado nível de estresse, devido, por exemplo, ao excesso de trabalho, à perda do emprego ou ao fim de um casamento, por exemplo”, avalia.

Lembranças negativas

Em geral, o relato das pessoas acometidas pela síndrome detalha uma preocupação com sentimentos de insegurança por situações que nem se sabe se acontecerão. Além disso, existe o pavor de que a crise retorne a qualquer momento. Também pode se instalar por um processo de associação, sempre que a pessoa se deparar com algo que lembre uma experiência negativa vivida, processo, este, que pode remeter à situação das crises anteriores e funcionar como um “gatilho” para novas crises.

As crises também podem ocorrer após um acidente, cirurgia ou doença grave, além do uso de cocaína ou outras drogas e medicamentos estimulantes. Para o especialista, o grande problema é quando os episódios de pânico se sucedem, afetando seriamente a qualidade de vida dessas pessoas. “Nessas circunstâncias a tendência é o paciente se deixar confinar no ambiente familiar, evitando o convívio social, e perdendo assim todo o contato com o mundo real”, observa Ratzke, salientando que a cura dificilmente se dá de forma espontânea.

As razões que levam ao transtorno permanecem des-conhecidas. A genética pode ter um papel importante, bem como influências ambientais, como a educação e episódios que podem ter marcado a vida dos pacientes para sempre.

Os especialistas recomendam o tratamento medicamentoso para combater as crises, visando, numa primeira fase, o restabelecimento do equilíbrio bioquímico do cérebro. Numa segunda fase, pode se recorrer a um tipo de psicoterapia específica, denominado terapia cognitiva. O objetivo, nesses casos, é ajudar o paciente a enfrentar os seus próprios limites e as adversidades com que, com certeza, vai se deparar no decurso da vida.

Tratamento associado

A síndrome do pânico tem tratamento e, quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação. Cada caso é especial, mas geralmente a pessoa é tratada com o uso de medicamentos associado às sessões de psicoterapia. Melhoras no quadro podem ser observadas entre duas e quatro semanas, no entanto, em média, leva um ano para se recuperar. Raramente há cura espontânea e, apesar de muitas pessoas ainda colocarem em xeque a relevância de complicações psicológicas, a síndrome do pânico deve ser tratada como doença. O risco de se menosprezar a síndrome é que ela pode levar a diversas complicações ainda preocupantes, como depressão, desenvolvimento de outros transtornos de ansiedade, e abuso de álcool e/ou de sedativos, com prejuízos para a vida profissional, social e familiar.

Sintomas antecipados

Os sintomas físicos de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente, preparando o corpo para algum fato inesperado “que está” por acontecer.

* Contração muscular
* Palpitações
* Tonturas e náuseas
* Boca seca
* Calafrios ou ondas de calor
* Realidade distorcida
* Terror
* Confusão mental
* Vertigens
* Medo de morrer