O Ministério da Saúde deve em breve pôr em prática uma estratégia para tentar driblar a legendária resistência dos homens a ir ao médico. A idéia é criar, em parceria com entidades privadas, centros de atendimento de saúde em locais de trabalho. "Se o paciente não vai ao médico, o médico vai ao paciente", resume o secretário de Assistência à Saúde, José Gomes Temporão. A proposta integra o programa Saúde do Homem, previsto para ser lançado no próximo mês.

Numa primeira etapa, os centros devem ser criados em empresas que tenham pelo menos 500 trabalhadores. Empregados teriam acesso a atendimento médico durante o expediente ou horas antes da jornada de trabalho. "Mas será atendimento geral, que transcende a medicina do trabalho ou acidentes", explica Temporão. "O serviço público entraria com profissionais e empresas, com a infra-estrutura", diz.

Temporão afirma que a proposta não traz nenhum risco de "terceirização" da saúde pública. "A idéia é facilitar o acesso" diz. "Será um serviço a mais, não uma restrição." Segundo ele, em tais unidades poderiam ser atendidas também trabalhadoras. "Mas como se trata de ambientes fabris, certamente a maior parte dos atendimentos será de homens."

A princípio, a ampliação do atendimento pode ser feita dentro do próprio serviço médico das empresas. As equipes poderiam ser orientadas para dar o atendimento global aos pacientes e não apenas prestar atendimento de emergência

Próstata

Há alguns meses a equipe de Temporão trabalha na criação do programa Saúde do Homem. Além da instalação de centros de atendimento próximos a locais de trabalho, o programa prevê incentivo para detecção precoce e tratamento de câncer de próstata, cuja incidência vem aumentando na população brasileira.

Segundo Temporão, estudos científicos até hoje não comprovaram a eficácia da realização em massa de exames de diagnóstico precoce – seja clínico ou laboratorial. "A idéia é que todos os médicos orientem seus pacientes a, se tiverem histórico da doença na família, fazerem o exame."

O programa também deve procurar ampliar a prevenção de problemas como tabagismo e alcoolismo, este mais comum no grupo masculino.

Disfunção

O ministério analisa a possibilidade de ofertar nos serviços públicos tratamento para disfunção erétil, incluindo a distribuição de medicamentos. Equipes do governo estudam qual seria o impacto financeiro dessa medida e como ela seria adotada. A idéia inicial é de que o tratamento seja ofertado, numa primeira etapa, em hospitais universitários.

O secretário de Assistência à Saúde afirma que hoje medicamentos para disfunção erétil já são distribuídos em protocolos de tratamento nesses hospitais. "A idéia é ampliar a oferta", afirmou. A proposta tem se ser aprovada pela comissão tripartite.