Os últimos dados oficiais
do País são do ano de 1986.

Curitiba está entre os 250 municípios brasileiros que farão parte de uma pesquisa sobre saúde bucal, promovida pelo Ministério da Saúde. A intenção é diagnosticar a realidade do País no setor de odontologia. Com o trabalho também será possível atualizar os dados nacionais, já que último levantamento na área feito no Brasil foi em 1986.

A pesquisa começou ontem e vai durar 22 dias. Para Curitiba, o Ministério da Saúde havia estimado cerca de 680 exames, porém, a Secretaria Municipal de Saúde ampliou esse número para sete mil avaliações. “Resolvemos ampliar essa mostra para conseguirmos um perfil mais próximo da realidade, já que dividimos os questionários entre os oito distritos sanitários do município”, explicou a coordenadora de Diagnóstico em Saúde do Centro de Epidemiologia da Secretaria da Saúde ? e coordenadora da pesquisa ?, Vera Lúcia de Oliveira.

O levantamento irá abranger cinco categorias: crianças de 18 a 36 meses e de 5 e 12 anos; adolescentes de 15 a 19 anos, e adultos de 35 a 44, e 65 a 74 anos. Entre os dados que serão levantados estão cárie (de coroa e de raiz), doença peridontal (gengivas e osso de sustentação dos dentes, fluorose (manchas provocadas pelo uso excessivo de flúor), má oclusão (alteração no posicionamento dos dentes) e presença ou necessidade de prótese (implante ou uso de dentadura).

O trabalho vai ser desenvolvido em escolas ? sorteadas entre 330 estabelecimentos ? e diretamente nos domicílios, escolhidos entre os distritos sanitários da cidade que se enquadraram nos mesmos setores censitários com os quais trabalha o IBGE.

De acordo com Vera Lídia, só vão participar da pesquisa as crianças que tiverem autorização dos pais. Já nos domicílios, isso se dará através da assinatura de um documento de autorização. Segundo a coordenadora, 32 pessoas, entre dentistas e assistentes, vão desenvolver o trabalho na cidade. “Essas pessoas estão identificadas e gostaríamos que todos colaborassem, caso contrário nosso resultado ficará prejudicado”, disse.

Cáries

O levantamento proposto pelo Ministério da Saúde será mais abrangente que o último realizado em 86, que verificou apenas a incidência de cáries. Os dados para a região Sul indicaram uma incidência de 6,3 dentes comprometidos por cárie em uma população de até 12 anos. Esse índice aumentou para 13,8% na faixa etária entre 15 a 19 anos, e 22,5% para a faixa entre 35 a 44 anos.

A coordenadora da pesquisa em Curitiba diz que o trabalho também vai atualizar os dados na capital, que possui apenas índices parciais de algumas faixas etárias, também dos últimos sete anos atrás.

O comprometimento por cáries em crianças até 12 anos era de 2,21%. Já o grau de fluorose chegava a 55,3%. “Acreditamos que identificaremos índices melhores nesta atualização”, afirmou Vera.