?Fiz a cirurgia por capricho, não era gordinha. Uma amiga fez, vi que a barriga ficou lisinha e resolvi fazer também. Na verdade, fui influenciada por ela. Tudo mudou após a cirurgia, foi a melhor coisa que fiz, se precisasse faria tudo de novo. Sinto-me muito bem assim. No começo achei que não ia gostar, mas quando passou o tempo certo, amei.? O depoimento de Carla (nome fictício) reproduz o que pensa a maioria dos adolescentes que buscaram a cirurgia plástica para correção de ?defeitinhos?.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, por meio de pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, em 2004, no Brasil, foram realizadas quase 41 mil cirurgias estéticas em jovens entre 15 e 19 anos e essa estatística engorda rapidamente. O cirurgião plástico Marco Aurélio Reggazzo explica que, nesta fase da vida, ocorre uma avalanche hormonal, alterações na forma e silhueta corporal dos adolescentes. Assim, quando algum desequilíbrio afeta a auto-estima a ponto de atrapalhar o convívio social, os adolescentes optam por alguns ajustes. ?Equilíbrio é a palavra chave quando se opta por uma cirurgia plástica?, enfatiza o médico. Na visão do especialista, a partir do momento em que a pessoa passa a viver em harmonia com seu próprio corpo, acaba gostando mais de si e a vida passa a ser encarada de uma maneira mais positiva, mais otimista.

O que há alguns anos pareceria impensável, hoje é fato. Os adolescentes, tanto do sexo masculino quanto feminino, estão fazendo cirurgia plástica estética em número cada vez maior. Hoje, representam cerca de 20% dos pacientes das clínicas de cirurgia plástica. Uma curiosidade que ocorre em relação a outras consultas médicas é que normalmente os pais é que levam seus filhos ao consultório. No caso da cirurgia plástica, os pais são convencidos pelo adolescente a levá-lo ao cirurgião. ?No entanto, nem sempre a cirurgia é a medida mais indicada pelo cirurgião?, constata Reggazzo, enfatizando que cabe ao médico a orientação técnica para que modismos desnecessários ou a tentativa de solucionar outros tipos de problema sejam evitados.

Motivo real

?Sempre achei meu nariz muito grande para o meu rosto. Tinha uma festa e queria estar bonita, quis fazer com 13 anos, mas os médicos não aceitaram porque ainda poderia me desenvolver, mudar o rosto e me prejudicar, então esperei o tempo necessário. Meus pais me apoiaram. Procuramos vários médicos, investigamos tudo e resolvi fazer.  O rosto ficou mais leve, gostei muito do resultado.”

O depoimento é de Jéssica, hoje com 17 anos de idade, Como se trata de um procedimento cirúrgico estético em uma pessoa na fase de transição do desenvolvimento físico, o cirurgião Marcos Reggazzo alerta que alguns cuidados são muito importantes, entre eles, avaliar se já houve o crescimento total da região ou órgão a ser operado, para que não ocorram modificações precoces no resultado da cirurgia. O médico salienta que é de fundamental importância avaliar a real motivação do paciente adolescente para a cirurgia.

É importante respeitar o desenvolvimento quase completo de cada estrutura anatômica antes de abordá-lo cirurgicamente, conversar com o adolescente sobre a real motivação, indicação cirúrgica, técnica, resultados e limitações. Também conversar com os pais ou responsáveis sobre o caso (adolescentes costumam ser muito críticos em relação aos outros e a si próprios), buscando apoio psicológico, se necessário. Seguindo essas orientações, a cirurgia plástica é uma excelente ferramenta na melhora da auto-estima dos jovens, completa o especialista.

O que mais eles querem corrigir

As intervenções mais realizadas são, pela ordem:

* Mamas (implante de silicone).

* Gordura localizada (lipoaspiração).

* Nariz.

* Orelha.

* Redução de mama.

* Outras cirurgias reparadoras.

A idade mínima para cada cirurgia

Nariz – a partir dos 15 anos.

Orelha de abano – a partir de 6 ou 7 anos.

Lipoaspiração – a partir de 17 ou 18 anos.

Aumento de mamas – depende de quando ocorrer a primeira menstruação e de uma investigação sobre o crescimento ósseo e fatores genéticos.

Redução de mamas – a partir dos 16 anos.