Tosse seca, peito chiando e respiração acelerada: estes são os principais sintomas da bronquiolite, uma infecção respiratória aguda causada freqüentemente pelo vírus sincicial respiratório (VSR) ? também conhecida como ?mal dos berçários?, que se manifesta, com freqüência, durante a temporada que vai do começo do outono até o final do inverno no hemisfério sul. Estima-se que o VSR seja responsável por cerca de 70% das internações de crianças menores de 2 anos de idade, com sintomas de doenças respiratórias.

Dados não oficiais apontam que cerca de 80% das crianças internadas nas pediatrias dos hospitais têm problemas respiratórios. Em Curitiba, a médica Heloisa Giamberardino, do Serviço de Infectologia do Hospital Pequeno Príncipe, acredita que os números atinjam esse índice. ?Muitas vezes, a criança chega com algum tipo de infecção no trato respiratório, é medicada e recebe alta sem entrar para as estatísticas da doença?, admite.  

Preocupação com crianças prematuras

Segundo a pediatra e gerente médica do Laboratório Abbott, Ana Paula Acciolly, ainda hoje o diagnóstico do VSR é restrito, podendo ser confundido com outros agentes causadores de doenças respiratórias. Os quadros mais graves, conforme a pesquisadora, ocorrem principalmente em bebês prematuros, crianças com asma e portadores de doenças pulmonares e cardíacas. Ela salienta que, por ser um vírus sazonal, terminada a temporada de inverno, o risco de adquirir a doença praticamente acaba, voltando a incomodar no outono seguinte.

Ana Accioly explica que, inicialmente, a infecção é semelhante a uma gripe, com febre, coriza, tosse e espirros. Depois de alguns dias, a criança começa a apresentar tosse acentuada, cansativa, respiração acelerada e falta de ar. Como afeta com mais intensidade crianças abaixo de um ano de idade, a médica salienta que esses incômodos chegam a dificultar as mamadas. ?É, principalmente, nessa situação que os pais devem se preocupar e buscar atendimento médico especializado?, enfatiza.

Não existe tratamento medicamentoso específico de uso rotineiro para infecção por VSR. ?Habitualmente é realizado o tratamento de suporte, como manter a criança hidratada, remover as secreções e ministrar oxigênio, para melhorar a respiração”, afirma Heloisa Giamberardino. A doença acomete a população indistintamente, porém os mais atingidos são mesmo as crianças com menos de dois anos de idade (a maioria dos casos ocorre entre 3 e 6 meses). Já em adultos e crianças maiores, conforme os especialistas, ela costuma ser mais leve, não passando de um quadro semelhante à gripe.

Transmissão e profilaxia

A transmissão do vírus se dá de pessoa para pessoa, por meio do contato das secreções contaminadas. O doente, ao levar sua mão à boca, nariz ou olhos, contamina suas mãos e, ao tocar em outras pessoas pode espalhar a doença. A pessoa sadia também pode se infectar ao respirar num ambiente onde um doente, ao tossir, falar ou espirrar deixe gotículas contaminadas (com o vírus) dispersas no ar. A única medida profilática disponível é a aplicação de uma vacina (só ministrada em hospitais ou em clínicas de imunização) que tem ação neutralizante e inibitória do VSR. A primeira dose deve ser ministrada no início da estação do vírus e deve ser repetida nos meses seguintes até o final da estação. No ano seguinte, se ainda houver indicação, a profilaxia deve ser repetida.

PARA DIMINUIR O RISCO

*  Evitar aglomerações.

*  Lavar as mãos com freqüência e sempre antes de pegar o bebê (o vírus permanece vivo nas mãos por mais de uma hora).

*  Cuidar ao manusear objetos do bebê.

*  Evitar contato de bebês com crianças mais velhas e adultos com sinais de resfriado ou gripe.

*  Evitar contato com fumantes e com ambientes poluídos.

*  Manter bem alimentada e oferecer bastante líquido à criança.