Aos pés do vulcão Vila Rica, o rio convida
às atividades de aventura, como o rafting.

Paradofobia é um neologismo criado por três rapazes do interior paulista para definir o medo de ficar parado. E foi esse sentimento que os motivou a percorrer dezesseis mil quilômetros num Toyota Bandeirantes entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, numa viagem de aventura e esportes radicais, durante 42 dias. Eduardo Lima, Telmo Bahia Carvalho e Rafael Melges saíram de Hortolândia, região de Campinas (SP), com destino a Ushuaia, o ponto mais remoto ao sul da América do Sul, situado na Argentina.

Ao longo de todos os trechos dessa expedição, os aventureiros encontraram oportunidades para a prática de várias modalidades de esportes, como mountain-bike, down hill, surfe, escalada, sand board, rafting e trekking. “A viagem teve atrativos ecológicos e culturais, mas acima de tudo, nos garantiu oportunidades de fazer esportes em cenários inexistentes no Brasil, como a descida de bike nos Caracolles, entre Mendoza (Argentina) e Santiago (Chile), surfe em ondas com mais de um metro no lago gelado ao pé do vulcão Osorno e a escalada do vulcão Vila Rica, em Pucon”, diz Eduardo Lima, 25 anos.

Os aventureiros levaram na bagagem três bikes (mais seis pneus, seis câmaras, além de remendos e equipamento de proteção fornecidos pela Bike Trial, de São José dos Campos), dois ducks Nautika (caiaques infláveis), duas pranchas de surfe, prancha para sand board e equipamentos para escalada. O Empório MK, de São José dos Campos, apoiou a viagem fornecendo alimentos e outros itens.

Planejamento

A Expedição Brasil – Chile foi planejada ao longo de 2003. Em novembro, Telmo Carvalho adquiriu o Toyota Bandeirantes 1991, cabine dupla, diesel, que pesa cerca de três toneladas, capaz de suportar as dificuldades de qualquer terreno. Equipado com GPS, o veículo foi revisado no Auto Posto e Centro Automotivo Companheiro (de Hortolândia), antes de chegar à estrada. Os rapazes também se prepararam tirando carteira internacional de motorista e a chamada “carta verde” (seguro contra terceiros) que, apesar de não ter sido usada, é obrigatória na Argentina.

Com o roteiro inicial estabelecido, os três deixaram Hortolândia em 25 de dezembro. “Optamos sempre pelos caminhos mais difíceis, com o objetivo de ver diferentes paisagens e conhecer cidades e a população local”, explica Rafael Melges. Cada um levou mil dólares (cerca de R$ 3 mil) no bolso, o que permitiu pagar diárias de quartos simples de até R$ 110 no Chile.

Mas o propósito da viagem foi conhecer os melhores locais para a prática de esportes radicais. Na estação de esqui Valle Nevado, que estava em época de degelo, praticaram mountain-bike e down hill. Em Puccon, escalaram o vulcão Vila Rica e fizeram rafting, descida com os ducks, trilhas, montain-bike e down hill. Em Torres Del Paine puderam fazer trekking. Em Osorno, surfaram nas águas geladas do Lago Petrohuoe, próximo à base do vulcão Osorno. Junto à Península Valdez, os viajantes tiveram uma surpresa: conheceram a Pingüinera Punta Tombo, onde mais de seiscentos mil pingüins ficam em suas tocas ou no mar. Em vários trechos, a alimentação dos aventureiros foi basicamente de Sticks (barras de cereais) e Cookies da empresa Natu’s, uma das patrocinadoras da viagem.

Um dos pontos altos da viagem foi a subida da Cordilheira dos Andes, sentido Santiago. “O deserto no meio da Cordilheira nos fascinou e ficamos emocionados quando vimos os primeiros sinais de neve nas montanhas”, diz Telmo. Por meio de uma estrada sinuosa, mas em boas condições, os três chegaram ao Parque do Aconcágua, palco de grandes aventuras e tragédias.

Ainda nos Andes, depois de subir quatro mil metros em um dia, os rapazes enfrentaram de bike os famosos Caracolles e tiveram que pedalar muito para vencer os fortes ventos na descida. Mas a viagem não teve apenas esforço físico: os rapazes aproveitaram para conhecer e se divertir muito na Kamikase, famosa rede de danceterias no Chile.

Contratempos

Mesmo com planejamento, a viagem trouxe alguns contratempos para os aventureiros. O principal deles foi a quebra do diferencial do veículo, o que os levou a viajar mais de trezentos quilômetros em busca de uma oficina. Enfrentaram ainda dez pneus furados e o desgaste de parafusos e porcas dos pneus, já no retorno ao Brasil.

A experiência de Rafael, 24 anos, com a manutenção de veículos, foi fundamental para o conserto do carro e das bicicletas. O Toyota Bandeirantes fez 9 quilômetros por litro de diesel, ao custo médio de R$ 1,40 o litro.

A Expedição Brasil – Chile gerou um site – www.paradofobia.com.br – onde se pode obter mais informações sobre esta e as futuras aventuras já programadas pelo trio.