O Conjunto Marumbi, no parque estadual
que é Patrimônio da Humanidade,
atrai ecoturistas e aventureiros.

Deixar o carro para trás e descer para o litoral de trem é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais da história e cultura paranaenses. A ferrovia Paranaguá-Morretes-Curitiba, Estrada de Ferro Imperial, já foi considerada obra-prima da engenharia férrea. Construída em 1871, com a pouca tecnologia da época e a difícil geografia da região, a ferrovia foi concluída em menos de cinco anos, surpreendendo os muitos céticos que não acreditavam na viabilização do projeto.

Tamanho era o desafio de construir uma estrada no antigo Caminho do Itupava que dos nove mil homens que participaram da construção, suspeita-se que muitos deles morreram vitimados por picadas de cobras, doenças tropicais ou nos inúmeros acidentes ocorridos. Apesar de o tráfego regular no trecho Paranaguá-Morretes ter início em 1883, a inauguração oficial da ferrovia ocorreu apenas em 2 de fevereiro de 1885, com a primeira viagem no trecho Paranaguá-Curitiba.

Hoje, a mesma estrada de ferro conduz o passageiro não somente ao litoral mas a uma viagem pelo tempo que tem as belezas da Serra do Mar como cenário principal.

Desde 1997, o passeio de trem é gerenciado pela empresa Serra Verde Express. O percurso feito atualmente é o Curitiba-Morretes, já que a Estação de Paranaguá está passando por uma restauração.

Até Morretes, são setenta quilômetros percorridos em três horas, tempo em que o turista é convidado a aguçar pelo menos três dos seus sentidos – a visão, a audição e o olfato. A visão porque vai avistar belas paisagens, com vegetação, rios, cachoeiras, canyons, montanhas; a audição para captar o máximo as informações dadas pela guia de turismo e o olfato, sim, o olfato, já que o perfume da mata toma conta do interior do veículo, fazendo lembrar ao passageiro que ele está entrando em uma área em que a natureza é a majestade.

Aliás, os cuidados com o meio ambiente são sempre destacados pelos guias ao longo do percurso, visto que muitos turistas ainda jogam objetos pela janela.

E o que se vê é realmente de encher os olhos, o que explica o fato de o roteiro ser o segundo mais visitado do Paraná por turistas, superado apenas por Foz do Iguaçu.

O que se vê

Durante o trajeto, o trem percorre uma área de mananciais dos municípios de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, treze túneis escavados em granito – foi a primeira vez no Brasil em que se usou dinamite para isso – e mais de quarenta pontes, pontilhões e viadutos, cuja passagem pode render ao turista um pouco de “frio na barriga”, devido à altura e ainda ao fato de o trem passar devagarinho, trinta a quarenta quilômetros por hora. Um desses pontos de maior adrenalina é a Ponte do Rio São João, a maior do percurso, com seus 110 metros de comprimento e 55 metros de altura.

Cerca de cinqüenta quilômetros percorridos, no Parque Estadual do Marumbi, o trem faz uma parada de cinco minutos para embarque e desembarque dos montanhistas, público fiel da rota. O parque, por si só, já é um atrativo, pois é Patrimônio da Humanidade e da Biosfera, tombado em 1993. Lá estão também o Museu do Marumbinista e uma curiosa vila, com trinta casas e um camping gratuito, onde os montanhistas passam as noites. “Essa região tem muitas cobras, aqui está a verdadeira coral”, informa a guia de turismo Márcia Lippi.

Alguns quilômetros depois, se chega à maior área de preservação da mata atlântica e, em meio a muitas flores, entre elas beijinhos, hortências e lírios, se alcança também o maior reservatório de água doce do Sul do Brasil. Nesse ponto, o turista se depara com belos cenários formados pelo Rio Ipiranga e o canyon de mesmo nome (uma das mais bonitas paisagens do percurso), a Cachoeira Véu da Noiva, a Garganta do Diabo e, se o tempo estiver bom, tem uma vista parcial da Baía de Paranaguá e de Porto de Cima (região de Morretes).

No desembarque na pequena Morretes, ao turista paranaense fica o sentimento de orgulho por viver em um Estado com tantas belezas naturais. Para o turista que vem de fora, fica a certeza de que o Brasil ainda é um paraíso ecológico que merece ser visitado.