Quem quer emagrecer a todo custo com certeza já se rendeu, pelo menos uma vez, aos alimentos da moda, aqueles que surgem nas dietas de repente, prometendo milagres na busca pela perda de peso. A novidade mais recente, sem dúvida, é a goji berry, uma fruta de origem asiática, que chegou recentemente ao mercado brasileiro. Mas, como a moda é quase sempre passageira, nos últimos meses, foram várias as sugestões que surgiram como itens de primeira necessidade no cardápio de quem quer perder uns quilinhos. Entre eles, linhaça, chia, quinoa, chá verde, óleo de coco e lichia (esta última, do ano passado ainda) são os principais destaques.

No entanto, antes de começar a consumir qualquer tipo de alimento que surja como novidade no mercado, é preciso se informar bem a respeito de seu valor nutricional para ter certeza de que ele não vai ter um efeito contrário. É o que diz a nutricionista do Hospital Vita Graziele Pasetti. “O problema desses alimentos da moda é que não existe nenhum embasamento científico que comprove os efeitos que eles estão prometendo, é muito propaganda de fornecedor, que quer vender o produto. Por isso, é preciso pesquisar bastante e saber a origem desses alimentos antes de consumir. Como não há muitas informações disponíveis, o ideal é procurar um nutricionista para se informar melhor”, afirma.

De acordo com ela, dos sete alimentos citados, somente o chá verde tem estudos científicos que comprovam sua eficácia para a saúde e o emagrecimento e nenhum deles é reconhecido como alimento funcional (aquele que traz benefícios para a saúde) pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, apesar de não haver reconhecimento da entidade, todos eles fazem algum tipo de bem para o organismo (veja quadro ao lado) e, com exceção do chá verde, nenhum deles têm contraindicação, de acordo com Graziele. Segundo a nutricionista, este alimento, se consumido em grande quantidade, pode levar ao desenvolvimento de hipertensão e problemas gastrointestinais. “Também não é indicado para quem tem insônia e problemas de pressão por causa da cafeína”, revela.

Mesmo que não haja contraindicações em relação aos demais, ela sugere que quem tem interesse em incorporar esses alimentos ao seu cardápio tome algumas precauções antes de fazê-lo. Além de pesquisar sobre eles, ela orienta que seja evitada a autoprescrição desses alimentos. “Não se pode achar que só porque o produto é natural que pode-
se consumir à vontade”, diz. Outra recomendação é que não se consuma apenas esses alimentos e também que o exagero seja evitado. “Se comer só isso, não vai dar resultado. Tudo isso tem que ser aliado a uma alimentação balanceada. Esses alimentos têm que ser complemento, não a refeição. E também não adianta comer tudo isso se não tomar água, pois pode prejudicar o funcionamento gastrointestinal”, orienta. Por último, deve-se sempre consumir somente a quantidade indicada pelo profissional de saúde.