No começo de 1981, o Barcelona de Guayaquil veio a Curitiba contratar dois jogadores do Coxa – Gardel e Santos. E também quis contratar um técnico. “O diretor do Coritiba, Edson Mauad, falou em meu nome. Ele disse: leva o Borba. E assim eu acertei minha ida para o Equador”, conta Borba Filho. “O Barcelona é o time mais popular do país. Em todo o lugar que ele joga, é como fosse o time da casa, porque a maior torcida é a dele”, continua ele. “E um dos ídolos do time era o Manga, que eu vi jogar na seleção, vi jogar no Botafogo, resumindo, era meu ídolo”, acrescenta ele.

No entanto, a experiência de treinar o Manga no Equador não foi muito boa. “Quando eu cheguei, o Manga não queria treinar. Era uma pessoa difícil. Ele só pensava em três coisas: cassino, vinho branco e menininhas”, diz ele. “No Equador, os cassinos abrem às 7h e funcionam até às seis da manhã do outro dia. Ou seja, eles ficam abertos 23 horas. Só fecham para o pessoal da limpeza trabalhar e reabrem de novo. Manga era viciado. Quando não estava no campo, estava no cassino. Não pensei duas vezes, eu botei meu ídolo no banco”, diz.

“Manga não gostou e ficou pelos cantos falando que este meu patrício era um traíra. Ele não sabia que eu aprendi a falar espanhol e entendia tudo o que ele falava. Eu reuni o time no meio do campo e disse que havia um grande goleiro no Brasil que era meu ídolo porque ele jogava muita bola, que aquele goleiro eu gostava muito. Mas que estava trabalhando com um que não queria nada. E depois eu disse: estou falando de você Manga. Dei-lhe uma enrabada. Ele ficou quieto e depois disso ele não deu mais problema”, conta Borba.

Borba Filho esteve em Guayaquil por apenas quatro meses, durante a participação do Barcelona na Libertadores. Mas foi tempo suficiente para voltar para o Brasil com outra história curiosa do velho goleiro brasileiro. “A diretoria do Barcelona tinha mania de liberar o Manga para vir para o Brasil a cada quinze dias. Depois fui descobrir que na realidade, ele ia primeiro para o Panamá, onde comprava várias caixas de videocassete. Quando chegava na alfândega o pessoal já sabia que ele estava chegando. Ele dava radinhos para uns, relógios para outros e passava pela alfândega com aquele monte de videocassetes que ele comprava barato no Panamá, porque era zona livre e deixava em Porto Alegre para os parentes e amigos venderem no Brasil”, conta Borba Filho. “Ele ganhava uma grana do caralho com estes contrabandos, ganhava mais com isso do que jogando”, diz ele.