O Boca Negra calou a boca de todo mundo no começo da temporada de 1968. Enquanto os adversários alardeavam contratações, e a própria torcida cobrava, o Ferroviário ficou quieto. O presidente Hipólito Arzua foi astuto, estava fisgando peixe grande. “O Ferroviário acaba de surpreender a todos, com uma contratação de 46 milhões de cruzeiros, arregimentando para o seu plantel o estupendo avante Madureira, moço canchado e que já atuou no Grêmio, Metropol e Vasco da Gama, do Rio. Deu muito trabalho contratá-lo, disseram os dirigentes colorados. O Metropol tinha o seu passe e só vendia por setenta milhões. E o rapaz era ídolo da torcida. Tinha, porém, um problema favorável ao time da Vila: Madureira não queria ficar mais em Santa Catarina. Para não ter na equipe um jogador insatisfeito, os catarinenses acabaram vendendo o craque”, revelou a Tribuna na edição do dia 1.º de março de 1968, uma sexta-feira.

O jornal informou ainda que os torcedores foram para a Vila Capanema ver o novo craque. “Odilon (o técnico) ficou satisfeito com a contratação e até voltou a sorrir novamente. Os dirigentes acham que ele será a sensação no campeonato do corrente ano. Madureira, ao que parece, está fadado a ser o ídolo do qual tanto necessita o Ferroviário”, prossegue a matéria, que tinha por título “Madureira, todos vão vê-lo domingo”. Madureira chegou dizendo que sempre sonhou em jogar no Paraná, porque o futebol paranaense estava evoluindo. O jornal informava que Madureira calçava chuteira 39 e tinha 1,67m de altura. No dia seguinte, Madureira era o destaque do Ferroviário na matéria sobre o campeonato: “A Guerra vai começar”, dizia a Tribuna.

E a guerra começou boa para o lado do Boca Negra, que sapecou uma goleada de 5 x 0 em cima do Britânia, na tarde de domingo, dia 3 de março, no estádio Orestes Thá. Na edição de segunda-feira, a Tribuna noticiou: “Ferroviário foi a bela surpresa”. Mais uma grande foto no novo craque com a seguinte legenda: “Madureira fez um partidão ontem e mostrou que é bom mesmo”. Quem pagou o pato foi o Britânia, que apanhou feio. Aos três minutos de jogo, Madureira apresentou seu cartão de visitas. Tabelou com Mário e chutou forte da linha de fundo. Antenor quis cortar e a bola entrou para o gol. No segundo gol, Madureira lançou Nilzo no vazio, que mandou no canto direito de Zeferino. O estreante não teve participação direta no terceiro e no quarto gol, mas marcou um golaço para fechar o placar. Humberto escalou pela esquerda e cruzou na marca do pênalti. Madureira, que vinha na corrida, meteu uma bomba.

No jogo seguinte, mais uma boa exibição de Madureira e o Ferroviário goleou o Seleto na Vila Capanema por 4 x 0. Não fez mais, por que se acomodou. A Tribuna do dia 7 de março informava a variação de humor entre os torcedores de Curitiba e de Criciúma: “Vejam o que aconteceu com o Metropol: vendeu Madureira e caiu a diretoria. Hoje o atacante colorado passou a ser atração e os bocas já falam na sua dupla de área, nas suas tabelas e nos seus gols, depois de um período de amarguras”.