No dia 14 de julho de 1991, data nacional francesa, o Troféu a Queda da Bastilha estava em jogo na nona etapa da mais tradicional prova do ciclismo mundial, o Tour de France. O curitibano Mauro Ribeiro, então com 26 anos, que não era especialista em provas por equipes, venceu o trecho que liga as comunas de Alençon e Rennes. E se tornou o primeiro brasileiro a conquistar uma etapa da competição, como membro da equipe RMO, que no dia desta etapa não estava bem na classificação e precisava desesperadamente da vitória.

A história do êxito pode se resumir da seguinte forma: faltavam 40 quilômetros para acabar a etapa cujo percurso total era 168 quilômetros quando o brasileiro se juntou ao grupo de dezesseis ciclistas no pelotão dianteiro. Faltando apenas 400 metros para a chegada, ele conseguiu ficar adiante e manteve a liderança até cruzar a chegada. Uma semana depois, Mauro ainda conseguiu ficar em terceiro lugar em outra etapa. O campeão do Tour de France de 1991 foi Miguel Indurian, da Espanha. Na classificação geral o brasileiro ficou em 47º lugar. No entanto, ele deixou gravado o seu nome e também carimbou o do Brasil numa competição mundialmente respeitada e num esporte no qual o nosso País não tem grande tradição.

“Aquele ano foi um ano muito especial para mim. Foi o melhor ano de minha carreira como ciclista”, diz hoje o esportista que mora em Curitiba e é proprietário de uma empresa que produz roupas para competidores do ciclismo. O curioso é que esta foi a única vez que ele participou de um Tour de France. “Acontece que como ciclista profissional, eu participava do circuito da Copa do Mundo, que tem doze etapas no mundo inteiro. E disputei a tradicional competição francesa em 1991 porque havia uma cláusula em meu contrato”, disse ele. Depois disso, ele continuou por vários anos a correr as provas da Copa do Mundo por sua equipe.

Linha do tempo!

1964 – Nasce em Santa Felicidade, Curitiba.

1980 – Incentivado por Renato Romeu, começa a praticar o ciclismo no Cicles Clube Romeu.

1981 – Campeão Pan-Americano de Ciclismo na categoria júnior, na prova por pontos.

1982 – Campeão Pan-Americano de Ciclismo na categoria júnior, modalidade perseguição individual. Disputa o Mundial em Firenze, na Itália, onde sagra-se campeão na modalidade por pontos.

1983 – Promovido ao time principal da equipe brasileira de ciclismo, disputa os Jogos Pan- Americanos de Caracas, onde conquista a medalha de bronze por equipe. Disputa o Pan-Americano de Ciclismo em São Paulo.

1984 – Participa do Pan-Americano de Ciclismo na Colômbia.

1985 – Participa do Pan-Americano de Ciclismo na Venezuela. Vai para a Europa, onde permanece por 20 anos. De março a agosto conquista 17 eventos internacionais. Em setembro disputa pelo Brasil o Mundial em Treviso, na Itália. Profissionaliza.

1990-91 – Melhores anos da carreira. Fica entre os 60 melhores do mundo e conquista no dia 14 de julho “A Queda da Bastilha”, nona etapa do Tour de France, melhor resultado de um brasileiro nesta tradicional prova mundial de ciclismo.

1995 – Disputa o Pan-Americano na Argentina onde conquista a medalha de bronze.

1996 – Disputa os Jogos Olímpicos de Atlanta na prova resistência (de estrada). E encerra a carreira profissional.

1997-2000 – Consultor da marca italiana Castelli para desenvolvimento de roupas para esportistas do ciclismo.

2001-2008 – Retorna ao Brasil para ser coordenador técnico da Confederação Brasileira de Ciclismo. Atualmente tem a sua empresa, a Mauro Ribeiro Sports, especializada em roupas para a prática do ciclismo.

Começou assim

O Tour de France foi organizado pela primeira vez em 1903 para aumentar as vendas do jornal L’Auto. Maurice Garin venceu a primeira edição. Atualmente é administrado pelo Amaury Sport Organisation. Desde a sua primeira ediç&atild,e;o a corrida só não foi realizada durante as duas guerras mundiais.

Tour de France

É considerado o maior evento esportivo mundial depois da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. A prova anual de ciclismo percorre durante 23 dias 4.800 quilômetros pelas mais variadas regiões da França. A prova movimenta no mercado 1 bilhão e 322 milhões de euros. Neste ano de 2015, foi realizada a sua 102ª edição. Cada ano contempla um traçado diferente.

Intraduzível

Não é fácil explicar o interesse, a importância e o charme do Tour de France para quem não é francês. Até o escritor Ernest Hemingway tentou e não conseguiu. Ele, que viveu certo tempo em Paris, disse que queria escrever sobre a corrida, mas desistiu alegando dificuldades com a tradução: “Apenas a língua francesa consegue descrever a corrida. Além disso, todos os termos são em francês. É por isso que tão difícil de escrever sobre este assunto”.