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A danada da pinga é boa para esquentar um debate sobre futebol

  • Por Tribuna do Paraná

Natan esperava um amigo no Bar Sal Grosso. Agendou uma cerveja, chegou cedo e esperou. Enquanto aguardava, apareceu Lourenço, que sentou na frente e perguntou o que ele fazia ali. Natan disse que esperava um amigo. Lourenço perguntou se Natan não ia pedir nada. Natan disse que não. Natan achou que o amigo queria carona na cerveja ou coisa parecida.

Como não deu certo, Lourenço pediu caipirinha. Quando chegou, ele disse: “Pra mim, é a melhor bebida do mundo”. A caipirinha, não a pinga. Depois pensou e considerou que foi injusto com a pinga. E disse que o brasileiro é ingrato e trata a pinga como a vagabunda das bebidas. Natan concordou, achava a mesma coisa.

Acostumado com propaganda de pinga na televisão dos anos 60, as populares Oncinha e Tatuzinho, não imaginou que ia presenciar a conquista do mundo pela cachaça. Hoje em Curitiba tem casas especializadas no produto. Algumas marcas custam mais que uísques de categoria. Lourenço bebia caipirinha e ficava animado. Ele disse que a pinga, assim como a feijoada, é contribuição africana para a cultura brasileira.

A pinga apareceu com a produção de açúcar por volta de 1530. Não se sabe como foi, mas o cozimento do melado deu origem a tal de cagaça, servida para os animais. Um escravo curioso experimentou o líquido fermentado pela ação do tempo e do calor que pingava da cagaça. Daí o nome pinga.

E como os escravos colocavam o líquido nas feridas, quando castigados pelos senhores e aquilo ardia, surgiu a expressão aguardente. O certo é que os escravos bebiam a pinga e ficavam contentes. O pessoal da Casa Grande também começou a beber porque era mais em conta e acessível que as bebidas importadas, como acontece ainda hoje. E a pinga veio para ficar.

Lourenço pediu mais uma caipirinha e começou a falar de futebol. Falava com paixão. “Pinga foi um dos maiores jogadores do futebol brasileiro. No Vasco foi campeão em 1956 e 1958, sem contar o Rio-São Paulo de 1958”, disse já na terceira caipira. Natan lembrou que o amigo que esperava era Flamengo fanático. Lourenço estava agitado. O encontro ia ser quente. E a noite ficou fria. O colóquio estava bom, mas Natan decidiu ir embora. Todo mundo sabe que pinga esquenta um debate. E aquilo podia terminar num duelo verbal. Era tudo o que ele não queria.

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