Um mercado 100% online acaba de chegar a Curitiba com uma promessa que pode mudar a relação dos consumidores com as compras do mês: entregar os produtos em até 20 minutos.

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As dark kitchens – cozinhas exclusivamente para delivery de comida, sem atendimento ao público, que se popularizaram na pandemia – agora chegam ao varejo, no setor supermercadista. A Shopper escolheu a capital paranaense para iniciar sua expansão fora de São Paulo e aposta em três estruturas (dark stores) que funcionam exclusivamente para pedidos feitos pela internet.

A empresa, porém, não chega à cidade às cegas. Antes de montar a operação própria, testou o serviço em Curitiba e identificou uma demanda que, segundo a Shopper, ainda era prejudicada por problemas de logística. Nos testes, as entregas chegavam a levar cerca de 1h30 e alguns pedidos chegavam incompletos. Sem contar as entregas após 24 horas.

A explicação estaria no próprio modelo utilizado por parte do comércio eletrônico: os pedidos são separados dentro de supermercados físicos, que precisam conciliar as compras online com a operação normal da loja. Agora, a Shopper traz uma proposta diferente.

Mercado 100% online: sem loja aberta ao público

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A empresa inaugurou três dark stores em Curitiba, nos bairros Água Verde, Juvevê e Mossunguê. São espaços fechados ao público e destinados exclusivamente à separação dos pedidos feitos pela internet.

Cada unidade tem mais de 3 mil produtos disponíveis. O estoque é abastecido diariamente e de forma automática a partir dos centros de distribuição da empresa em São Paulo.

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Na prática, o consumidor escolhe os produtos pelo site ou aplicativo e o pedido é separado dentro de uma estrutura pensada especificamente para isso. A Shopper informa que o tempo médio de separação do pedido é de apenas 3 minutos e meio.

A operação atende a um raio de até 10 quilômetros e alcança quase todos os bairros de Curitiba. O serviço de entrega ultrarrápida funciona 24 horas por dia.

A diferença também aparece no controle do estoque. Como a dark store não recebe consumidores e é dedicada exclusivamente às compras online, a empresa afirma conseguir manter maior precisão sobre o que está disponível. Com isso, a promessa é reduzir a falta de produtos e as substituições que podem ocorrer quando o pedido é separado em uma loja convencional.

R$ 5 milhões para três operações

O investimento mercado 100% online chama atenção quando colocado lado a lado com o modelo tradicional de supermercados. A Shopper informa que está investindo mais de R$ 5 milhões em Curitiba para rodar três dark stores e gerar mais de 100 empregos. Um valor relativamente menor do que a abertura de lojas físicas, que só não se compara à quantidade de postos de trabalho.

É possível fazer esse comparativo lembrando as últimas inaugurações de supermercados em Curitiba. Em março deste ano, por exemplo, o Condor inaugurou uma nova unidade em São José dos Pinhais com investimento de R$ 50 milhões e geração de cerca de 200 empregos. Também na capital, o Grupo Ítalo investiu R$ 50 milhões na nova unidade do Barigui, que será inaugurada na próxima semana, e vai gerar 300 empregos. Pelo mesmo preço, um Superdia Atacado, que também pertence ao Grupo Ítalo, foi inaugurado no Tarumã e gerou 180 postos diretos.

Já o valor de R$ 5 milhões, que a Shopper está investindo nas dark stores, é semelhante à revitalização do Condor Santa Cândida, em Curitiba.

Os formatos não são equivalentes, já que um supermercado físico precisa manter área de vendas, estacionamento, caixas e estrutura para receber clientes. Ainda assim, os números dão uma dimensão da diferença de capital necessário para colocar uma operação de varejo alimentar em funcionamento.

Sem corredores para consumidores, grandes áreas de exposição ou estacionamento, a dark store aposta em uma estrutura física mais enxuta e concentra os recursos na tecnologia, no estoque e na logística.

Banana a R$ 1,99 e preços menores

A economia também é uma das apostas do mercado 100% online. Segundo a Shopper, alguns produtos podem custar até 15% menos, especialmente na modalidade Compra Programada, em que o consumidor monta uma lista para receber os produtos periodicamente. A lista é prévia e pode ser adaptada.

Um dos exemplos apresentados pela empresa é a banana prata, vendida por R$ 1,99 o quilo na modalidade Programada Fresh, que permite entregas semanais ou quinzenais.

A estratégia, de acordo com a empresa, ajuda a reduzir perdas. Como a Shopper consegue prever a demanda, pode comprar determinados produtos dos fornecedores depois de já ter vendido os itens. Dessa forma, há menos desperdício de alimentos e a economia pode ser repassada ao consumidor.

A plataforma também oferece a Compra Única, sem recorrência, com entregas em até 20 minutos; a Compra Programada; a Programada Fresh, voltada a produtos perecíveis; e a Pet Shopper, para produtos destinados a animais de estimação.

Mercado 100% online: por que Curitiba?

A escolha da capital paranaense não foi aleatória. A Shopper começou a testar uma seleção de produtos em diferentes cidades brasileiras por meio de parceiros logísticos e identificou Curitiba como uma das capitais com maior demanda.

Além do volume de interessados, a empresa afirma ter considerado o perfil socioeconômico dos curitibanos, que estaria alinhado ao público-alvo da plataforma.

Curitiba também será um teste importante para a expansão da empresa. A Shopper afirma que a chegada à capital é o primeiro passo de um movimento para levar a operação própria a outros estados.

E o Paraná pode ganhar novas cidades no futuro. Segundo a empresa, a expansão dependerá da adesão e experiência dos consumidores curitibanos ao serviço. Por enquanto, a capital é a primeira cidade fora de São Paulo a receber diretamente a logística própria da Shopper.