Portos Casela
Presos transferidos para
aliviar tensão na cadeia.

A superlotação no xadrez da delegacia de Pinhais culminou em mais uma rebelião. Na manhã de ontem, os presos da ala B renderam o plantonista Wellington José Dutra Nunes e o mantiveram como refém por mais de três horas. O policial só foi liberado depois que 38 dos 65 detentos conseguiram ser transferidos. Esta foi a segunda rebelião ocorrida na delegacia em menos de cinco meses.

O motim começou por volta das 9h, na troca do plantão, quando o policial entrou na carceragem para fazer a contagem dos presos. Munidos de estoques, os 18 homens que estavam no corredor renderam o investigador, quebraram as celas e liberaram outros 20 detentos da ala B. Para conter o tumulto, foi necessária a presença de dezenas de policiais do 17.º Batalhão de Policia Militar, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais (Grupo Tigre), porém as negociações só começaram a ser feitas depois que a juíza da Comarca, Márcia Regina Hernandes Lima, chegou na delegacia. Os presos exigiram a presença dela para garantir as transferências, uma vez que as duas alas do xadrez abrigavam 65 homens, tendo capacidade para apenas 16.

Acompanhada do delegado Gerson Machado, a juíza entrou na carceragem e iniciou a negociação, que durou cerca de três horas. "Eles exigiam celulares para conversar com a família, a presença da imprensa e a remoção imediata", contou o superintendente Luiz Fernando Barbosa.

Transferência

Mesmo a juíza avisando aos rebelados de que havia ganho autorização para transferir 20 deles para o Centro de Triagem de Piraquara e os outros 18 para delegacias da Região Metropolitana de Curitiba, os detentos se mantiveram irredutíveis, desconfiando da sua palavra. Somente por volta das 12h30, os primeiros presos se renderam e foram levados ao caminhão do Centro de Triagem, que estava estacionado no pátio da delegacia. Depois que 15 criminosos deixaram a carceragem, os demais liberaram o refém. Uma hora depois, o caminhão seguiu para Piraquara levando os 20 presos, conforme o combinado. Com a transferência, permaneceram na delegacia 27 homens da ala A, que não se envolveram no motim.

"Só trabalham dois policiais por plantão e a contagem dos detentos é feita duas vezes por dia, uma no começo e outra no fim da tarde. Os presos estão revoltados com a superlotação e, por isso, a situação é sempre muito delicada. Estamos 24 horas à mercê de uma rebelião como esta", comentou Barbosa.

Dinheiro

O policial tomado como refém, que há duas semanas saiu da Escola de Polícia para incorporar o efetivo da delegacia, foi liberado com alguns arranhões. Porém, em seguida, surgiu um novo problema: recuperar os R$ 850,00 reais que estavam em seu bolso e que foram tomados pelos rebelados. Até o começo da tarde de ontem os policiais recuperaram R$ 235,00. "Um dos presos contou que enrolou duas cédulas de R$ 100,00 em um plástico e engoliu para quando evacuasse pudesse recuperar o dinheiro. É um absurdo", disse Barbosa.

A mesma estratégia para conseguir a transferência foi usada pelos criminosos no dia 30 de março deste ano. Depois de uma greve de fome, eles tomaram sete adolescentes como reféns e iniciaram uma rebelião, que durou seis horas. Depois da negociação, os menores foram liberados e 34 detentos transferidos.