Por quatro votos a um, o júri decidiu absolver Cícero Raminelli Júnior, 23 anos, o “Ferrugem”, da morte de Rafael de Freitas, 20, o “Rafinha”, ocorrida em dezembro de 2011. Rafael era apontado como o braço direito da traficante de droga Ivete Cardoso, 41, a “Ivetinha’, tida como a patroa do tráfico de Colombo. O julgamento teve início às 9h30 da última sexta-feira, no fórum da comarca de Colombo, e terminou dez horas depois.

 

Ivete e a filha Priscila estão presas desde o ano passado, quando a Polícia Militar estourou a “fortaleza” de onde comandavam o tráfico no Jardim Ana Terra. O sobrado era equipado com várias câmeras de segurança que monitoravam a movimentação, principalmente da polícia, na rua.

 

Com a morte de Rafael, Tiago Serbelo Torkes, ex-marido da filha de Ivete, voltou a ocupar o posto de confiança da traficante. Mesmo estando presa, ela continuava dando ordens a ele. “Tiago trabalhava para Ivete, mas depois que ele e a filha dela se separaram, Rafael se tornou seu braço direito. Com a morte de Rafael, ele retornou ao posto. Por isso, a morte de Rafael pode ter sido a mando de Tiago”, observa o advogado Maurício Zampieri de Freitas, que defendeu Cícero no júri. Tiago foi preso na semana retrasada com a mãe e dois irmãos dele durante a operação América realizada pelo núcleo metropolitano da Delegacia de Narcóticos (Denarc).

Prisão

Cícero foi preso em fevereiro de 2012 pela morte de Rafael e era apontado pela polícia de Colombo como um dos principais traficantes de Colombo. O crime, segundo apuraram as investigações, foi motivado pela disputa por ponto de venda de droga. Os advogados que atuaram na defesa de Cícero, Maurício e Jean Carlo da Silva, alegaram que a prisão do cliente foi decretada com base unicamente no testemunho de Ivete, que afirmou na época tê-lo visto na cena do crime. O assassino estava na garupa de uma moto e passou atirando na frente do bar da Ivete, que fica anexo à sua “fortaleza”, na Rua Dulcídio Falavinha.

“Rafinha” morreu no hospital. Além dele, dois homens foram baleados e sobreviveram.

O júri foi presidido pela juíza Aline Passos, com o promotor Ricardo Kochinski na acusação. Sete testemunhas, sendo duas de acusação, foram ouvidas, durante o julgamento, que durou dez horas. Ivete e a filha foram escoltadas da penitenciária feminina até o fórum.

Os advogados do réu tentaram desqualificar a acusação apresentando, pela primeira vez na comarca de Colombo, a reconstituição do crime de forma simulada com uso de computação gráfica. “A juíza não permitiu, mas o médico-legista desmascarou o testemunho de Ivete, já que a dinâmica do disparo como ela relatou era incompatível com o laudo de necropsia. Ou seja, ela não viu nada”, afirmou Maurício.