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Quadrilha desarticulada,
graças a investigação do Gerco,
recebia proteção policial.

Uma das quadrilhas mais antigas de Curitiba, conhecida por dominar o tráfico de drogas na região norte, em especial no Bairro Alto, foi desmantelada. Apontado como o líder do grupo, Marcos Antônio Pierrotti, 29 anos, conhecido por "Marcão", foi preso junto com outras 11 pessoas, acusadas de participar do comércio de crack na região. O advogado do bando, Elias Henrique da Silva Souza, foi detido na porta do Fórum Criminal e outros três policiais civis e um militar estão com mandado de prisão temporária expedido, acusados de extorsão e conivência com o tráfico.

De acordo com o coordenador da Promotoria de Investigação Criminal (PIC), procurador de Justiça Dartagnan Cadilhe Abilhôa, as prisões, assim como as investigações foram feitas pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), órgão vinculado à PIC, e pelo Comando de Operações Especiais (Coe). Durante cerca de quatro meses os policiais monitoraram ligações, até levantar o nome de todos os envolvidos com o tráfico. O resultado foi a prisão em massa, ocorrida em várias residências do Bairro Alto, na tarde de ontem. Foram presos: Neura Gross, Paulo Jorge Lourenço, Mateus André Borim, Jaqueline Queiroz, Celso Luís Nunes Milas, Maurício Alves de Paula, Gustavo Mello Polenghe, Eliana de Oliveira, Wilson Barbosa de Lima, Luiz Carlos da Silva, Gandhi Pereira Bijari e Aldair Nascimento dos Santos. As escutas telefônicas denunciaram a participação de, pelo menos, três policiais civis e um militar no esquema de comércio de drogas. Outros devem ser identificados a partir da prisão do grupo, uma vez que as investigações indicam que policiais civis de várias delegacias de Curitiba e da Região Metropolitana sabiam do tráfico no local, mas recebiam propina para não inibí-lo. O advogado foi preso porque também teria participação no comércio de crack.

Apreensões

Nas casas foram encontradas sete armas, entre elas uma espingarda calibre 45, um fuzil e farta munição, pasta de crack para a confecção de 600 pedras e outras 240 embaladas para a venda. Também foram apreendidos diversos celulares, documentos, um laptop, um computador e uma filmadora. Com "Marcão" foi encontrada uma pistola calibre 9mm. De acordo com os policiais, ele movimentava cerca de R$10 mil por dia, vendendo de 600 a 3 mil pedras. Dono de cerca de dez imóveis, um veículo Pajero e uma Saveiro, ano 2004, Marcos é dono de uma fábrica e uma loja de artigos esportivos, que eram usados para "lavar" o dinheiro ganho com o crack. De acordo com Abilhôa, a mãe de "Marcão", conhecida por "Índia", foi quem iniciou o tráfico na região, há 15 anos. Depois de ser presa, o filho assumiu. Outros dois irmãos do chefe do bando também estão presos e um foi assassinado por uma gangue rival, em dezembro.

Mortes

Com a prisão de um dos traficantes mais perigosos da cidade, os policiais passarão a investigar o envolvimento de "Marcão" em vários homicídios, uma vez que ele é suspeito de ter mandado matar vários "vapores" que tinham dívidas com ele. Em dezembro, o irmão dele, Marcelo José Perrotti, o "Chinês", foi morto por uma quadrilha rival, que também agia no Bairro Alto. O bando, que prometeu matar Marcos, mudou-se para o Boqueirão, onde foi preso, também pelo Gerco e pelo Coe, no último sábado. "Marcão", que estava foragido, com medo das ameças, voltou para o Bairro Alto, e foi preso. "Com a detenção destas duas quadrilhas nós definitivamente acabamos com o comércio de entorpecentes na região norte da cidade. O objetivo é conseguir afastar os policiais civis corruptos, pois é graças a eles que o tráfico de drogas sobrevive e se alastra", finalizou Abilhôa.