Nas Mercês, moradores e comerciantes não aguentam mais tantos assaltos e já há lojas atendendo de portas fechadas, com ingresso controlado de clientes.A constatação é do presidente da Associação de Moradores e Empresários das Mercês (Amoem), Antônio Carlos Carvalho, que não sabe mais a quem recorrer para pedir socorro. A Avenida Manoel Ribas, onde a concentração de comércios é maior, os roubos são diários, principalmente contra lojas que têm dinheiro em caixa, como farmácias, casas lotéricas e bancas de revistas.

Antônio contou que a 2.ª Companhia, do 12.º Batalhão da Polícia Militar, atende as Mercês, Bigorrilho, Bom Retiro, Vista Alegre, Pilarzinho e São Francisco, além de parte do Centro e parte do Batel. A partir de dados do Censo do IBGE de 2010, e considerando apenas 1/4 dos moradores do Centro e Batel, a Companhia é responsável por proteger uma população de 104.247 pessoas. Antônio diz que há apenas oito policiais e três viaturas por turno de trabalho, o que daria a média de um policial para cada 13.030 habitantes destes bairros.

Segundo o presidente da Amoem, comerciantes e moradores das Mercês desistiram de dar queixa à polícia, tamanho o descrédito nas instituições de segurança, que demoram para atender as vítimas e não resolvem os crimes.