Relatório aponta gasto de R$ 1.750,00 por viatura.

Os veículos modelo Renault Scénic, comprados pelo governo anterior para a Polícia Militar, foram avaliados como de manutenção cara e frágeis para o trabalho desenvolvido pela PM. A constatação foi feita pelo Centro de Suprimento e Manutenção de Material Bélico da PM, cujo relatório indica que foram gastos, em média, R$ 1.750,00 por viatura Scénic, em manutenção preventiva e corretiva, no ano passado.

Diante dessa avaliação, a Secretaria de Estado da Segurança Pública encaminhou na manhã de sexta-feira à Ouvidoria e Corregedoria-Geral do Estado, ao Procon e à montadora Renault, o relatório técnico sobre a situação da manutenção das 469 viaturas Scénic, vendidas ao governo em 2000 e 2001. “Esse diagnóstico técnico será levado em consideração nas próximas licitações. De posse dele, deveremos tomar todas as medidas administrativas cabíveis”, comentou Marco Antônio Berberi, diretor-geral da Secretaria da Segurança Pública.

Preços

Duas pastilhas de freios dianteiros de um Scénic, por exemplo, custam R$ 214. Já as de um veículo de outra montadora custam R$ 71, resultando em uma diferença de 301%. Seguindo a mesma comparação, dois discos de freios traseiros de um Scénic custam R$ 809 e um kit de embreagem sai por R$ 1.010,00, contra R$ 98 e R$ 201,60, da marca pesquisada. Uma diferença de 825% e 501%, respectivamente.

Com relação à manutenção preventiva e corretiva das viaturas Scénic, foi gasto um valor de R$ 527.815 em 2002. Já no ano passado, foi gasto um valor de R$ 651.095,88. Estes valores representam um custo médio anual de R$ 1.749,10 por viatura.

O demonstrativo dos consertos de maior custo revelou que foi gasto R$ 6.620,68 para apenas um Scénic, do 10.º Batalhão da PM, em setembro do ano passado. “Isto representa quase 50% do valor venal do veículo, que custa de R$ 12 mil a R$ 15 mil”, observou o tenente-coronel João Antônio Pazinatto, chefe do Centro de Suprimento e Manutenção de Material Bélico da Polícia Militar.

Fragilidade

Segundo ele, o modelo da Renault se mostra frágil para o emprego do trabalho policial. “Ele não tem reforço na estrutura e sofre desgaste acelerado, comparativamente com outras marcas, diante de fatores condicionantes, impostos pela natureza do emprego policial”, considerou o tenente-coronel.

O relatório da PM expõe ainda que as viaturas Scénic “não apresentam robustez necessária para variação do emprego no terreno, ou seja, foram projetadas para vias públicas pavimentadas, restringindo o uso”. De acordo com o levantamento da PM, atualmente há 88 viaturas Scénic desativadas. “Isto representa 20% do total de Scénic que a PM possui. Esta situação demonstra claramente que o veículo é frágil para o trabalho policial”, afirmou Pazinatto. “Uma destas fragilidades é constatada no coxim do motor, que rompe facilmente diante de uma arrancada mais brusca”, citou o tenente-coronel.

O diagnóstico demonstra que, em 2003, apenas no período de três meses (de 12/09 a 31/12), o custo da manutenção das 384 viaturas Scénic na capital e no interior do Estado (excluídas as 45 que estão à disposição do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual) foi de R$ 651.095,81. “A Secretaria liberou R$ 1,9 milhão para consertos das viaturas. Deste valor, 30% foram gastos somente para conserto de viaturas Scénic”, disse o chefe do Centro de Suprimento da PM.

Comparativamente com outras marcas, o modelo da Renault representou 30,61% das despesas com consertos de viaturas da PM.