A Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, em conjunto com a PF local de Foz do Iguaçu, desarticulou ontem uma organização criminosa que facilitava o acesso de material contrabandeado vindo do Paraguai pela Ponte Internacional da Amizade. Faziam parte do esquema servidores da Receita Federal, policiais federais e policiais rodoviários federais. A PF, por determinação da juíza Alessandra Fávaro, da 2.” Vara Criminal Federal, prendeu 36 pessoas. Destas, 22 são policiais federais, três funcionários da Receita Federal, dois policiais rodoviários federais e nove que serviam como atravessadores no esquema de contrabando.

Os presos foram: os policiais federais Adriano da Costa Luetz, Antônio Henrique Mourão de Souza, Arlindo Alves Padilha Júnior, Flávio Luís Barbosa, Francisco Antenor Júnior Rocha, Geraldo Rosemberg Augusto de Faria, Humberto Conti Neto, José Alves Morato Neto, José Carlos de Abrantes Ferreira, José Fernando Coutinho, José Luís Travassos, Júlio César Vieira Pereira, Marco Roberto de Souza, Marcos de Oliveira Miranda, Newton Hidenori Ishii, Nilton Santos Gonçalves, Ocimar Alves de Moura, Paulo Biskup de Aquino, Paulo Jair de Souza, Paulo “Bambam” Roberto Dambrósio, Rogério Fleury Watanabe e Sidney de Oliveira Novaes Júnior; os agentes da Receita Federal Glória de Maria Pereira de Souza Rodrigues, Luiz Carlos Baú e Walmor Bronzatti; os policiais rodoviários federais Gilberto Lass e Otávio Luís Villa; e os atravessadores João “Maranhão” Vieira Júnior, Júlio César da Silva, Moisés Nacfue, Neide Botelho Martins, Nelson Batata, Osmar Dias, Reginal “Abacate” Amorim e Sirley Aparecida Augusto de Abreu.

Todos eles estão respondendo por crimes de corrupção passiva, facilitação de contrabando, prevaricação e formação de quadrilha. Os servidores públicos também devem responder a processo administrativo em seus respectivos órgãos e correm o risco de serem demitidos.

A investigação

Há cinco meses a PF de Foz estabeleceu a Operação Sucuri, que investigava a possível facilitação de contrabando. No início do ano, a operação foi reforçada pela Diretoria de Inteligência da PF, vinda de Brasília.

A falcatrua utilizada pelos criminosos era simples. Mediante ao pagamento de propina, eles armavam um esquema de proteção às cargas que passavam a fronteira com mercadorias contrabandeadas com valores superiores aos permitidos pela legislação fiscal.

Conforme o delegado Reinaldo de Almeida César, da Diretoria de Inteligência da PF, existia um acerto prévio e os fiscais já estavam avisados para deixar determinados veículos passar (geralmente táxis ou vans). “Eram valores altos, US$ 30 mil ou US$ 40 mil entravam no país sem o pagamento dos impostos”, informou César, destacando que as investigações devem continuar para verificar se há outros envolvidos. Durante o inquérito policial, que tem 15 dias para ser concluído, a PF pretende descobrir há quanto tempo funcionava o esquema e quanto os policiais já teriam recebido. O Ministério Público Federal deve acompanhar a investigação.