As polícias Militar e Civil promoveram
ontem uma operação para prender seis
pessoas acusadas de comandar o tráfico
de drogas e cumprir 23 mandados de
busca e apreensão na Cidade Industrial
dee Curitiba (CIC).

Baseada no mapa publicado pela Tribuna, no dia 29 de janeiro último, indicando os locais do tráfico de drogas na Vila Nossa Senhora da Luz – Cidade Industrial-, as polícias Militar e Civil, em conjunto com órgãos da Prefeitura Municipal e com a colaboração de oficiais de Justiça, desenvolveram uma megaoperação para prender seis indivíduos acusados de comandar o tráfico de drogas na região e cumprir 23 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Nenhum dos procurados foi localizado. De acordo com moradores, após a publicação do mapa eles desapareceram.

Estão com prisão decretada: Éder Conde, Luís da Silva Pinto, o “Verê”; Márcio José dos Santos, vulgo “Márcio Leitão”, Jackson Guerino; Carla Cassiano Guerino, a “Nega”, e Adilson Lourenço, também conhecido como “Adilson Polaco”.

O delegado José Roberto Jordão, titular do 11.º Distrito, informou que os pedidos foram feitos à Justiça com base na reportagem da Tribuna. “Os mandados de buscas e apreensões também foram pedidos de acordo com o mapa”, contou Jordão.

Operação

Exatamente as 15h, 40 viaturas da Polícia Militar, 11.º Distrito Policial (CIC), do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal, e o helicóptero da PM – além de oito oficiais de Justiça -, saíram em comboio do quartel central da PM, em direção à Vila Nossa Senhora da Luz. Cento e cinqüenta homens participaram da operação. “Foram visitadas todas as casas indicadas pela Tribuna, mas infelizmente não apreendemos drogas nem prendemos ninguém”, disse Jordão.

O coronel Itamar dos Santos, comandante do CPC – Comando de Policiamento da Capital -, informou que em uma das casas vistoriadas foram apreendidas algumas carteiras de identidade e alguns cheques, cuja origem será investigada. “Valeu a pena. Mostramos que a polícia está presente”, disse o oficial. “Resgatamos a autoridade do Estado na vila”, acrescentou o delegado José Roberto Jordão.

Fuga

Jordão salientou que acreditava que não iria encontrar nenhum dos acusados de tráfico que tiveram as prisões decretadas. “Inclusive, muitas das casas indicadas na reportagem da Tribuna estavam fechadas, com indícios que as pessoas deixaram o local há dias”, frisou.

Os moradores da vila, que preferem não se identificar, pois temem os traficantes, confirmaram as suspeitas do delegado. “Depois que saiu aquele mapa na Tribuna, eles sumiram. Felizmente, porque a gente não agüentava mais”, disse um morador. “Antes a gente não conseguia nem dormir. De madrugada era tiro para todo lado. Ninguém tinha coragem de sair para ver o que estava acontecendo. Agora, a Rone faz patrulhamento aqui todos os dias. Sem dúvida melhorou, mas com certeza ainda não acabou”, desabafou outra moradora. “Os chefes sumiram. Agora só ficaram os bagrinhos”, denunciou outra pessoa.

Procurados já haviam sumido

Mara Cornelsen

Embora a megaoperação realizada ontem na Vila Nossa Senhora da Luz tenha sido o cumprimento de uma promessa realizada pelas autoridades, logo após a publicação de um mapa – com nomes e endereços – dos envolvidos no comércio da droga que agem na região, o resultado pouco produtivo da ação já era previsível. Uma semana após a Tribuna denunciar os vendedores de drogas, eles já haviam deixado o local, muitos às pressas, abandonando casas, carros e até cães, porque sabiam que a polícia iria agir.

A ação da polícia, porém, legitimou a veracidade das denúncias que resultaram nas decretações de prisões preventivas de acusados de tráfico e levou um pouco de tranqüilidade aos moradores, que agradeceram a “limpeza” acontecida na região. Outras investigações continuam a ser realizadas, uma vez que há informes do envolvimento de policiais civis e militares com os traficantes.

Outras

A denúncia do comércio de drogas na vila motivou dezenas de outras, que chegaram à redação com nomes e endereços de pontos de tráfico existentes em toda a cidade. Todas elas foram encaminhadas à polícia, que se comprometeu a averiguá-las e tomar providências. Tanto o delegado titular da Divisão de Narcóticos, Luiz Antônio Zavataro, quanto o comandante do Policiamento da Capital, coronel Itamar dos Santos, incentivaram a população a continuar delatando a ação dos traficantes, para que aconteça uma concreta parceria entre a comunidade e as autoridades constituídas na luta contra o narcotráfico.

Cadela ataca PM e é fuzilada

Durante a operação, um soldado da Polícia Militar foi atacado por uma cadela Fila, chamada “Iana”, quando entrou em uma casa na Rua Caramuru esquina com a Rua Demerval Prestes Branco, Vila Nossa Senhora da Luz. A Justiça concedeu mandado de busca e apreensão no local. De acordo com o coronel Itamar dos Santos, comandante do CPC, o colega do soldado foi obrigado a atirar no animal, que morreu na sala da moradia. “O cão atacou e não tivemos alternativa. Nosso soldado foi mordido no braço e levado para o hospital.”

A dona da moradia, Lindamir Sobenski, 56 anos, estava revoltada com a morte do animal e garante que ele não atacou. “Olha a bagunça que fizeram aqui. Tem sangue da Iana na sala. Sou pobre mais acho que eles não podem fazer isto”, lamentou a mulher.

Morte

Ela disse que no dia 16 de setembro de 1999, seu filho Fábio Henrique Martins, na época com 19 anos, foi morto no portão de sua casa. “Ele devia R$ 5,00 para os traficantes que o mataram. Eu sou a primeira que quero Justiça e que limpem esta vila. Estou disposta a colaborar, mas não precisavam matar minha cadela e quebrar a minha casa”, desabafou Lindamir, que é aposentada e trabalha em um condomínio. “Quando cheguei do trabalho já tinham entrado e feito esta bagunça”, completou.