?Tedo?, de 27 anos, executado
com seis tiros de pistola.

Um ano depois da morte de Otoniel, a família Fontoura chorou o assassinato do irmão mais velho dele. Eliel Fontoura, o “Tedo”, pedreiro, 27 anos, foi executado com pelo menos seis tiros de pistola aos 20 minutos da madrugada de ontem, na Rua Alfredo José Pinto, esquina com Rua São Joaquim, atrás do Bosque da Fazendinha. Os dois crimes estariam relacionados, segundo investigação preliminar da Delegacia de Homicídios.

Eliel, que morava na mesma rua em que foi morto, bebia num boteco entre a noite de sábado e o início da madrugada de ontem. No caminho de volta para casa, três homens o abordaram. “Provavelmente já estavam à espreita para atirar”, falou o soldado Valdecir, do 13.º Batalhão da Polícia Militar. A vítima, atingida no peito e na cabeça, morreu na hora. Segundo a polícia, os autores fugiram num Celta branco.

Vingança

Na noite de 21 de maio do ano passado, Otoniel, então com 24 anos, foi assassinado com cinco tiros quando andava pela Rua Cid Campêlo, próximo à esquina da Rua Ulysses Guimarães, Barigüi I, CIC. À época, o crime foi atribuído a uma gangue do bairro. Cerca de um mês antes, ele havia sido baleado na perna e um amigo dele, conhecido por “Gordinho”, nas costas – Otoniel se recuperou, mas o amigo morreu pouco depois.

Parentes de Eliel, ouvidos pela DH, revelaram que ele teria se vingado da morte do irmão mais moço, pondo fim à vida de um dos autores do crime. Desde então, o pedreiro vinha sendo ameaçado por parentes do suposto assassino de Otoniel. A DH já tem em mãos o apelido e o endereço de um dos suspeitos da execução de Eliel.

Mulher assiste à morte de três filhos, no Parolin

A fatalidade parece insistir em perseguir a família Amado. Em menos de um ano, três dos seis filhos de Lindacir Amado foram assassinados a tiros na frente da casa deles, na Rua Professor José Farani Mansur Guérios, Parolin. Na noite de sexta-feira, o estudante Valdemir Rodrigues Amado, 17 anos, morreu no hospital Cajuru. Ele foi baleado no dia 25 de abril em frente de casa, ficou internado, mas não resistiu aos ferimentos. Há pouco menos de um ano, no dia 18 de maio de 2003, Ernani Rodrigues Amado, 18 anos, o “Boca”, e Fernando Rodrigues Amado, 22, foram mortos no mesmo local.

Valdemir foi baleado e levado às pressas para o Hospital Cajuru, onde ficou uma semana internado. No dia 1 de maio o rapaz recebeu alta e foi para casa, para ficar sob os cuidados da mãe. No dia 21, ele voltou ao hospital para fazer uma nova consulta, e foi liberado pela médica que o examinou e garantiu que estava tudo bem. Porém, horas depois de chegar em casa, por volta das 21h10, o estudante teve fortes dores, passou mal e foi levado novamente ao hospital, onde já chegou morto. Quanto a autoria do crime, a família afirma não ter recebido nenhuma informação da polícia. “A médica disse que estava tudo bem e de repente ele morre. E a polícia que investiga o caso ainda não descobriu nada sobre quem matou e porquê. Agora não tenho mais filho homem, só mulher, uma com 8 anos, outra duas de 21 e 25 anos”, desabafou Lindamir.

Mortos

Lindacir, mãe das vítimas, assistiu à morte dos dois filhos no ano passado. Segundo ela, um rapaz chamado Fábio chegou em frente da casa deles empurrando Fernando. Nesse momento, um parente dos irmãos foi avisar o que acontecia na rua e Ernani saiu da cama em socorro do irmão. Fábio e Fernando estavam com duas armas em punho, cada um, quando Ernani chegou e começou a falar para o irmão atirar. Porém, foram os irmãos que acabaram mortos.