O assassinato da idosa Adelina Werneck, 81 anos, ocorrido na tarde de sábado, ainda é um mistério que a delegacia de São José dos Pinhais tenta desvendar. Quinze pessoas do convívio íntimo da vítima já foram ouvidos e com a tomada dos depoimentos a polícia descobriu alguns detalhes que podem levar ao assassino.

Adelina era uma pessoa bastante conhecida no município, por morar no centro da cidade e usar o dinheiro para agradar e servir aos vizinhos. Há mais de um ano ela mudou o número do telefone para que a família não entrasse em contato com ela e fez dos vizinhos seus melhores amigos. Toda a semana ela apostava de R$ 150,00 a R$ 200,00 em Tele-Sena e outros jogos da loteria e presenteava os vizinhos com as apostas, na tentativa de beneficiá-los com algum prêmio. Adelina também costumava almoçar e jantar fora, sempre com convidados, além de comprar agasalhos para as pessoas que moravam na rua. A maioria dos moradores sabia que a anciã ganhava muito dinheiro, pois era comum vê-la passear de taxi pela cidade e andar sempre com muitas jóias. A aposentadoria de R$ 18 mil que recebia mensalmente possibilitava que praticasse as boas ações, já que era a única filha solteira de um ex-diretor da Receita Estadual.

Amor

Mesmo com tanto dinheiro a felicidade de Adelina era condicionada ao amor platônico que tinha por um comerciante da região, 45 anos mais novo que ela. Durante o depoimento na delegacia, o comerciante contou que a idosa passava as tardes em sua loja. Em respeito à idade dela, ele nunca a rejeitou, porém jamais teve qualquer relacionamento com Adelina. “A alegria dela era visitá-lo e ganhar sua atenção”, contou um dos policiais que investiga o caso.

Porém a vida tranqüila de Adelina vinha sendo interrompida por uma jovem, que não gostava da maneira como a idosa esbanjava dinheiro. A jovem, para provocar a anciã, costumava dizer que mantinha relacionamento sexual com o comerciante pelo qual a idosa era apaixonada e até chegou a dizer que estava grávida dele. Esta jovem também foi chamada para depor.

Suspeitos

De acordo com a polícia, devido o sistema de inquérito digital instalado na delegacia recentemente (é a única do Estado a utilizar deste recurso), 15 pessoas já foram ouvidas. O próximo passo será intimar os álibis dos suspeitos. Um deles é um pedreiro que trabalhou na reforma da casa de Adelina e teria a chave da porta. Os policiais também constataram que alguns aparelhos eletroeletrônicos, como DVD, televisor e vídeo-cassete sumiram da residência e foram provavelmente roubados pelo assassino.