Socos, pontapés e facadas no pescoço mataram o adolescente Luiz Gustavo Pavoni Vanelli, 16 anos, no início da madrugada de ontem, no Largo da Ordem, São Francisco. Menos de duas horas depois, dois suspeitos, identificados como Maicon e Maurício, foram presos em flagrante e, durante a madrugada, mais de 10 pessoas foram ouvidas na Delegacia de Homicídios (DH). Um dos detidos é estudante de Direito.

Segundo testemunhas, Luiz Gustavo e seus amigos foram surpreendidos por um grupo. Eles trocaram algumas palavras e, logo em seguida, a vítima foi agredida com um soco. O motivo das agressões, segundo o delegado Rubens Recalcatti, foi o ciúme de Maicon pela namorada, uma adolescente de 15 anos. “Recentemente a garota fez um vídeo seminua e alguém o postou na internet. Luiz Gustavo, que era conhecido da menina, fez uma brincadeira. Ela não gostou e contou para o namorado”, explicou o delegado.

Golpes

Maicon aproveitou que o rapaz ainda se recuperava do soco e o feriu com uma facada no pescoço. Mesmo machucado e sangrando muito, Luiz Gustavo conseguiu correr pela Rua Ermelino Leão, em frente à Delegacia do Consumidor (Delcon), onde foi amparado por um amigo. Porém, em seguida, Maurício também o feriu. O Siate foi chamado, mas quando os socorristas chegaram, ele já estava morto. Os autores do crime e alguns amigos da vítima já haviam deixado o local.

“Com a ajuda da Guarda Municipal, anotamos as características dos autores e o endereço da garota. Pouco tempo depois, os guardas prenderam Maicon, que é estudante de Direito, o amigo dele Maurício, e três pessoas que estavam no mesmo carro, voltando para casa, no Jardim Social”, explicou Recalcatti.

Acusações

O delegado declarou que, como a autoria é conhecida e os suspeitos estavam presos, entrou em contato com o 1.º Distrito Policial para que recebesse os detidos e ouvisse as testemunhas, mas o delegado de plantão se recusou a fazê-lo. Todos foram encaminhados para a DH, onde foram ouvidos. “Maicon e Maurício são amigos, mas quando estavam sendo ouvidos, ambos negaram o crime e um acusou o outro”, comentou Recalcatti.

Testemunhas falam em skinheads

As testemunhas, que estavam com Luiz Gustavo, passeando pelo Largo da Ordem, disseram que havia skinheads entre os agressores, e a informação foi confirmada pelo delegado. No entanto, eles confirmaram que Maurício, supostamente o líder do grupo, incitou Maicon a dar a primeira facada, depois, como se fosse um ato heróico, se abraçaram e comemoraram.

O repórter Marcelo Borges, da Rádio Banda B, entrevistou uma testemunha, que confirmou que o grupo estava determinado a cometer o crime. “Estávamos sossegados no nosso canto quando eles chegaram e cercaram o nosso grupo. Falaram em uma dívida, que a gente não entendeu. Depois que ele acertou uma facada, o outro rapaz, que parecia ser o chefe do bando, mandou que ele terminasse o serviço. Eles se vestem de preto e pintam a cara. Foi como se fosse um pacto, ficamos desesperados pelo nosso amigo e também porque eles nos perseguiram pelo centro”, contou o rapaz, que não quis se identificar.

Investigação

Recalcatti afirmou que Maicon e Maurício foram autuados em flagrante pelo homicídio, e garantiu que as investigações continuam para identificar se eles pertenciam a um grupo neonazista e identificar outras pessoas que estavam com eles na hora do crime.