Furtos de fios elétricos e cabos telefônicos estão se tornando comuns em diversas regiões do Paraná, inclusive Curitiba e municípios da Região Metropolitana. Nos últimos dois anos, a Copel registrou o furto de 74 mil quilos de cabos transmissores de energia no Estado. Já a Brasil Telecom, de 2001 até o último mês de junho, registrou o sumiço de 481 quilômetros de cabos telefônicos.

O engenheiro eletricista da Copel, André Luís de Castro David, explica que as pessoas furtam os fios e cabos com o objetivo de revender o cobre de que eles são compostos. Existem tanto quadrilhas especializadas na atividade quanto pessoas que a executam de forma isolada.

“As pessoas que roubam os fios e cabos são as que mais se arriscam – podendo morrer devido a um choque elétrico – e ao mesmo tempo as que menos lucram com a ação”, comenta. “Elas furtam e repassam o produto a atravessadores, que geralmente conseguem um lucro um pouco maior revendendo-o à indústrias ou pessoas que reprocessam o cobre, em desmanches e ferro-velhos”.

Os furtos dão uma série de prejuízos tanto à companhia energética quanto à telefônica, podendo afetar nos valores das tarifas aplicadas. Entretanto, a maior prejudicada costuma ser a população residente da área onde os cabos e fios são levados, que muitas vezes ficam por diversas horas sem luz e sem poder utilizar o telefone.

Combate

Segundo o capitão da sessão de planejamento do 12.º Batalhão da Polícia Militar do Paraná, Douglas Sabatini Daboul, são desenvolvidas ações freqüentes de observação em Curitiba e Região Metropolitana para tentar conter a ação dos ladrões. “Em casos de denúncias, vamos até o local da ocorrência e fazemos a abordagem do indivíduo suspeito”, explica. “Várias pessoas já foram detidas, mas não temos o número exato de apreensões”.

Apesar das iniciativas mantidas pela polícia, as próprias Copel e Brasil Telecom desenvolvem ações na tentativa de evitar os roubos. O diretor de relações institucionais da companhia telefônica, Leôncio Vieira de Rezende Neto, conta que são realizadas monitorações contínuas na rede elétrica paranaense, sendo que toda ela é equipada com sensores e alarmes. “Também realizamos campanhas de esclarecimento junto à população e mantemos o número 0800-410802, através do qual as pessoas podem fazer denúncias”, declara.

Já na Copel, de acordo com André Luís, foi criado um grupo de trabalho encarregado de lidar com a questão. “Estamos tentando estabelecer uma forma de, juridicamente, só vendermos nossa própria sucata a fabricantes e fornecedores. Também queremos criar uma tabela que contenha quantidades de fios roubados e o valor do roubo, podendo assim dar início a um processo de padronização dos boletins de ocorrência efetuados”.