O plantão vazio demonstra
falta de policias.

Dos quatro assassinatos que aconteceram nesse fim de semana, a Delegacia de Homicídios ainda não tem pistas dos autores. Procurado ontem, pela reportagem da Tribuna, o delegado Rinaldo Ivanike, responsável pelas investigações dos crimes, resumiu: “Não temos novidade. Estamos investigando”.

No fim de semana foram mortos; Eliel Fontoura, o “Tedo”, 27 anos ( na Fazendinha); Valdemir Rodrigues Amado, 17 (no Parolin); o pedreiro Edivaldo Rocha Baldaia, 30 (no Sítio Cercado); e Gustavo Galacine, 20 (no Pinheirinho).

Nos últimos 25 dias, de acordo com levantamentos da Tribuna, foram assassinadas 38 pessoas. Desses casos, apenas um autor foi preso em flagrante. Em outro, o nome do assassino foi levantado no local do crime, e outros dois foram mortos por ladrões. O restante dos 34 homicídios, “continuam sendo investigados”. Ao todo, este ano, ocorreram 193 mortes e poucos autores foram presos ou identificados. O pior é que talvez esses crimes engrossem a lista dos insolúveis e os criminosos fiquem na impunidade.

Sem solução

No último dia 3 de maio, a Tribuna publicou uma matéria relatando a situação vergonhosa em que se encontra a Delegacia de Homicídios, a única especializada em investigar crimes contra a vida. Há pouco mais de 20 dias, haviam quatro equipes de plantão, integradas por quatro policiais cada; quatro delegados; quatro escrivães e apenas dois investigadores. O quadro continua o mesmo e segundo a Secretaria de Segurança deverá ser incrementado em agosto.

Esse efetivo é encarregado de fazer a Delegacia de Homicídios sobreviver à duras penas, com um registro médio mensal de 30 assassinatos, além de tentativas de homicídios, lesões corporais e suicídios. Os mesmos policiais têm que atender locais de crimes, registrar queixas, cuidar de presos, e ainda fazer os serviços burocráticos. Além dos casos atuais, estão empilhados por lá cerca de dois mil inquéritos antigos, ainda sem autoria, que devem aumentar, e muito, até agosto chegar.

Falta de policiais deixa criminosos impunes

Patrícia Cavalari

A realidade das delegacias da Região Metropolitana de Curitiba não é diferente da vivida pela Delegacia de Homicídios. A falta de investigadores está fazendo com que os delegados acumulem listas de crimes sem solução e somem esforços para dar continuidade às investigações. O município de Almirante Tamandaré é um exemplo, onde os assassinatos acontecem e os autores permanecem impunes.

Nesse último fim de semana, dois homens foram executados a tiros no município e, apesar de um dos crimes ter autoria conhecida, a polícia diz não ter tempo para investigá-lo. No final da tarde de domingo, José Lucídio, 43 anos, foi assassinado com três tiros, em frente a um bar, na Rua Ivonete Lady Siqueira, Jardim Cintia Mara. O autor, identificado por uma testemunha, é um morador da região conhecido como “Pirilampo”, que teria fugido em um Gol vermelho para o município de Colombo. Mesmo com estas informações o delegado Átila Roesler afirmou ter tomado conhecimento do caso pelos noticiários divulgados pela internet, já que nenhum policial da delegacia compareceu no local do crime, menosprezando o principal ponto de partida para qualquer investigação. Apenas os peritos criminais foram acionados, porém, está longe da responsabilidade deles a investigação da autoria do crime.

Para agravar ainda mais a situação, o delegado afirmou que, no momento, não há investigadores disponíveis para apurar os dois homicídios que aconteceram no fim de semana, pois todos estão concentrados na conclusão do inquérito policial de Vera Lúcia Aparecida de Jesus, 41 anos, madrasta e autora do assassinato do garoto Paulo Henrique, 11 anos. “Somente depois que concluirmos as investigações deste caso iremos começar a analisar os demais. Enquanto isso, todos continuam pendentes”, afirmou o delegado, que só irá destacar uma equipe para investigar os homicídios na próxima semana.

Roesler afirmou ainda que o problema é, exclusivamente, a falta de policiais, porém negou-se a falar qual o número de investigadores lotados na delegacia. “Nós estamos nos esforçando para fazer o melhor, mas é humanamente impossível, pela falta de pessoal”, disse ele.

Piraquara

O município de Piraquara também vem sofrendo com a escassez de policiais civis. De acordo com o delegado Carlos Mastronardi, a delegacia conta hoje com quatro investigadores e um escrivão para atender 80 mil habitantes. Somente este mês, pelo menos seis pessoas foram assassinadas e até agora nenhum autor foi preso. “As investigações correm em ritmo lento, apesar de já termos levantado o nome de alguns suspeitos e autores. É um esforço sobre-humano que precisamos fazer todos os dias”, disse o delegado.

Os investigadores de Piraquara também não comparecem nos locais de crime durante a noite, já que neste período a delegacia conta com um único policial para tomar conta dos 30 presos e ainda atender ao público. “Infelizmente, temos que correr atrás dos vizinhos e testemunhas no dia seguinte e contar com os telefonemas da comunidade para realizar as investigações. O ideal seria ter seis investigadores, além do plantonista, para poder efetuar um bom trabalho”, finalizou Mastronardi.

Reforço de efetivo deve chegar em agosto

Para tentar amenizar o problema da falta de policiais civis em todo o Estado, o governo promete destacar 226 agentes após o mês de agosto, quando o curso na Escola Superior de Policia Civil for concluído. Os novos policiais estão sendo treinados para assumir os cargos de delegado, investigador e escrivão. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública nem todos os município do Paraná serão beneficiados. Um estudo deverá ser feito para analisar quais delegacias apresentam maior carência de efetivo, para que os novos profissionais sejam destacados. Como o problema não será solucionado, um novo concurso deverá ser feito, sem data prevista.