A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (24), a Operação Agro-Fantasma. O trabalho resultou na prisão de 11 pessoas, entre as quais o gerente de operações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Paraná, Valmor Luiz Bordin. A ação envolveu 15 municípios paranaenses, além de Bauru (SP) e Três Lagoas (MS).  Cerca de 60 suspeitos foram indiciados por 11 crimes diferentes.

A operação revelou um forte esquema de desvio de recursos públicos destinados ao programa federal Fome Zero. De acordo com o delegado que dirigiu as investigações, Maurício Todeschini, coordenadores da Conab, que deveriam fiscalizar todo o processo de distribuição dos recursos financeiros e dos produtos eram os principais envolvidos no esquema. “Verificamos que vários casos denunciados por prefeituras e produtores haviam sido arquivados sem fiscalização, para próprio favorecimento”, disse.

O valor desviado não foi contabilizado pela Operação. O delegado, no entanto, ressaltou que todo ano pelo menos R$ 1 bilhão é disponibilizado ao Programa Fome Zero. Toda a cúpula da Conab, no Paraná, e fiscais ligados ao grupo foram afastados, em razão de fortes indícios de participação nos crimes. A investigação começou em 2011, em Guarapuava, centro-sul do Paraná. Foram investigados 22 programas, dos anos de 2009 a 2013.

Desvio

Para garantir o desvio de verbas, notas fiscais de produtos eram forjadas, com faturamento de mercadorias que não eram produzidas e, muito menos, entregues. A maior parte do dinheiro que deveria ser repassado aos produtores rurais ficava com os coordenadores da Conab e, os locais que deveriam ser beneficiados com os alimentos recebiam muito menos do que estava previsto no contrato ou não recebiam nada.

Segundo o agente da PF e engenheiro agrônomo, Edson Pegonara da Costa Cunha, foram descobertos esquemas absurdos no desvio de verbas. “Em nome de um produtor, por exemplo, havia uma nota fiscal de produtos lácteos. Ao ser questionado se havia entregado a mercadoria, ele afirmou que não tem sequer uma vaca e que jamais trabalhou com esse tipo de produção”, comentou.

O delegado explicou que pouquíssimos produtores estavam envolvidos no esquema, apenas aqueles mais ligados aos coordenadores da Conab. Na maior parte dos casos, assim como as instituições a serem beneficiadas com os alimentos, eles foram lesados.

Municípios

No Paraná, os municípios investigados foram: Guarapuava, Foz do Jordão, Honório Serpa, Candói, Ponta Grossa, Irati, Rebouças, Teixeira Soares, Inácio Martins, Fernandes Pinheiro, Itapejara D’Oeste, Goioxim, Pinhão e Querência do Norte. Foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão e três foram presos em flagrante por porte ilegal de arma.