A população do bairro Santa Cândida, em Curitiba, está revoltada com o confronto entre policiais e bandidos, após o assalto a um restaurante, que resultou na morte da estudante Bárbara Silveira Alves, 16 anos, no início da tarde de quarta-feira (1º). Três policiais militares à paisana que almoçavam no restaurante saíram atrás dos bandidos. Um policial, que preferiu não se identificar, confirmou que houve troca de tiros, mas testemunhas afirmaram que os marginais não atiraram e que já estavam a uma distância considerável do restaurante.

Segundo a proprietária do estabelecimento, um rapaz, aparentando ter 17 anos, pediu uma marmita. Quando recebeu o pedido, ficou parado, olhando o balcão de doces. “Avisei meu filho, que ele devia estar querendo mais alguma coisa. Quando vi, o rapaz já estava atrás do balcão com a arma apontada para o meu filho”, disse a mulher. O marginal apontou o revólver também para o marido dela e fugiu levando cerca de R$ 300 do caixa. Um comparsa estaria esperando por ele em uma motocicleta e os dois fugiram. Testemunhas disseram que o rapaz que entrou no estabelecimento era magro, moreno claro e tinha várias tatuagens. Ninguém anotou a placa ou informou o modelo da moto à polícia. Os policiais envolvidos no caso foram afastados da corporação.

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Policiais à paisana entregaram armas ainda no local.

Os policiais que efetuaram os disparos foram procurados pela reportagem, mas não quiseram relatar a versão deles. A Polícia Militar, em nota, informou que eles foram afastados das funções e encaminhados para acompanhamento psicossocial. As armas dos policiais foram recolhidas para perícia e entregues, ainda no local, a um soldado do 20.º Batalhão da PM, que deve ter encaminhado o material à Corregedoria da corporação.

Revolta

Moradores da região estavam inconformados com o que aconteceu. Muitos consideraram a atitude dos policiais como despreparo. “Naquele horário estava um formigueiro de gente por aqui, com muitos alunos saindo do colégio”, comentou um homem, que não quis ter o nome divulgado. A rua reúne mercado, farmácia e outras lojas. “Não precisavam ter atirado, que deixassem os caras fugir. Um absurdo, uma menina baleada por causa de pouco dinheiro”, afirmou outro morador. A Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) investiga o crime.

Colegas de Barbara organizam uma passeata para a manhã desta quinta-feira (2), marcada para as 10h15, em frente a uma farmácia que fica na esquina do colégio onde a garota estudava, na Rua Theodoro Makiolka.

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