A mobilização dos sem-teto antecipou a concessão de verbas do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para São Paulo. Para encontrar uma solução rápida para o caso de 925 pessoas que moram num prédio invadido na Avenida Prestes Maia, no centro da capital – cuja reintegração de posse deverá ser executada até domingo -, o governo federal liberou ontem R$ 20 milhões do PAC. O dinheiro garantirá o pagamento de seis meses de bolsa-aluguel para os sem-teto, enquanto eles aguardam a construção da moradia definitiva. Também servirá para a compra de prédios na cidade para abrigar os sem-teto.

Uma reunião na Prefeitura de São Paulo serviu para criar um plano de ação conjunta entre Município, Estado e União, com várias estratégias. A Secretaria Municipal de Habitação, que ficará responsável pela execução do projeto, tentará retardar a reintegração de posse. Enquanto isso, técnicos do Estado e do Ministério das Cidades escolherão três edifícios no centro para virarem habitação popular. Além disso, será dada opção de mudança para unidades da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado.

No encontro, estiveram presentes os secretários municipal e estadual de Habitação, Orlando Almeida Filho e Lair Krähenbühl, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e o prefeito Gilberto Kassab (DEM). ?Na verdade, a reunião começou ontem (anteontem)?, afirmou Fortes, em referência ao encontro em Brasília de 18 representantes do governo federal, 5 do Estado e 18 de prefeituras – entre eles Kassab. A mobilização dos sem-teto começou na madrugada de segunda-feira, com a ocupação do Edifício São Vito por 300 famílias. No dia seguinte, estendeu-se por mais cinco pontos da Grande São Paulo. Agora, só uma frente persiste, em Sapopemba, na zona leste.