A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle solicitará à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) auditoria para apurar denúncias de prejuízos e gestão temerária dos recursos do Banco Popular do Brasil.

A investigação deverá incluir também os critérios de fiscalização adotados pelo Banco Central com referência a créditos considerados irrecuperáveis. O pedido de auditoria foi feito pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e aprovado hoje.

De acordo com Hauly, além de incorrer em irregularidades na escolha de agência para fazer sua publicidade, o Banco Popular enfrenta crise com a inadimplência nas operações de microcrédito. O deputado explica que a instituição financeira começou a operar comercialmente em junho de 2004 e seis meses depois já contava com 5,5 mil pontos de atendimento. Em março de 2005, segundo ele, o volume de empréstimos atingiu R$ 1,3 milhão.

Cerca de 30% da clientela, no entanto, nunca ativaram suas contas, segundo o deputado. "E contas não movimentadas, que representavam custos operacionais sem retorno, começaram a ser fechadas. Esse processo fez com que o número de clientes se resumisse a 771 mil no fim de setembro de 2005", acrescenta.

Atraso

Das operações totais de R$ 64,7 milhões, o parlamentar afirma que R$ 18,8 milhões apresentavam, em agosto do ano passado, atrasos no pagamento. "Mais da metade das operações (R$ 9,9 milhões) já eram classificadas na classe H do Banco Central, categoria dos créditos irrecuperáveis. O prejuízo acumulado em 12 meses, até junho de 2005, foi de R$ 47,5 milhões", calcula.

Essa taxa de inadimplência e os altos custos da aquisição de clientes (segundo Hauly, decorrentes sobretudo dos gastos com publicidade) representam os principais fatores a serem investigados pelos órgãos de controle.