O Tribunal Regional Federal (TRF) da 5.ª Região, com sede no Recife, prorrogou por cinco dias a prisão temporária dos 27 integrantes da quadrilha acusada de desviar verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra de merenda escolar e alfabetização de jovens e adultos, atendendo a um pedido dos delegados da Polícia Federal (PF) que comandam a Operação Guabiru. Com isso, pelo mesmo até o feriado de Corpus Christi (26), os oito prefeitos e quatro ex-prefeitos de 12 cidades de Alagoas, entre outros acusados, permanecerão presos na carceragem da PF em Maceió.

Na sexta-feira (20) à noite, quatro dos 31 detidos pela operação foram libertados pela polícia. O delegado federal Andrei Augusto Passos, que chefia o inquérito contra os acusados enviou uma representação ao desembargador Marcelo Navarro Dantas, do TRF da 5.ª Região, pedindo o alvará de soltura para os presos que colaboraram com as investigações. No dia seguinte (21), foi solicitado o alongamento da detenção temporária dos demais denunciados por envolvimento no esquema, que só em 2005 desviou cerca de R$ 2 milhões dos cofres públicos.

Os suspeitos libertados foram: o contador Teógenes Marques Gameleira Júnior, que trabalha para o ex-prefeito de Rio Largo Rafael Torres, apontado pela PF como o líder do banco, acusado de articular licitações irregulares e notas frias com o objetivo de comprar merenda; a empresária Wilma Araújo, acusada de negociar os cheques usados no esquema; o dono de gráfica Ednilson Ribeiro de Guimarães, que prestava serviços à organização criminosa, e Heleno Machado Pereira Júnior, funcionário do empresário Francisco Erivan dos Santos, que continua preso e é o braço direito de Torres.

O delegado federal considerou que os suspeitos tinham colaborado com as apurações e que não haveria mais a necessidade de mantê-los detidos na sede da Superintendência da PF, em Jaraguá. Os quatro continuarão respondendo ao inquérito em liberdade e estão proibidos de deixar o Estado. Eles podem ainda ser convocados, a qualquer momento, para prestar mais esclarecimentos. A PF deixou claro que a libertação dos acusados não aconteceu pela interferência dos advogados de defesa.

Técnicos

Hoje pela manhã, 25 técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram a análise dos documentos apreendidos pelos agentes da PF quando a quadrilha foi desbaratada, na terça-feira (17). Entre o material em poder da corporação, há vários computadores apreendidos em pelo menos 11 prefeituras, residências e empresas dos suspeitos. Com base na análise desse material, a PF informa acreditar que pode chegar a outros prefeitos envolvidos com irregularidades no desvio de recursos federais. A assessoria da PF não informou até quando vai esse trabalho.