Desta vez a natureza, com as intensas chuvas que vêm caindo em todo o País, castigou ricos e pobres. Nem os agricultores do semi-árido nordestino escaparam das águas que a tudo inundaram, romperam açudes e fizeram extravasar rios que comumente passam a maior parte do tempo secos. A natureza é implacável e o presidente Lula, esquecendo-se de suas andanças pelo exterior, desta vez foi ver de perto os estragos no Nordeste, sua região de origem.

Num primeiro momento e num primeiro discurso, em Petrolina, disse que a natureza a ninguém poupa. “Quando cai água demais, não tem rio, não tem nada que segure, porque a natureza, muitas vezes, quando se revolta, é implacável. Ela não escolhe pobre ou rico”, disse o presidente.

Discurso recheado de emoção. Água demais pode ser contida e até economicamente aproveitada. Que o digam os holandeses, que do mar conquistaram terras, e os habitantes de certas regiões de New Orleans, que, através de diques, aproveitaram terras que estão abaixo do nível do mar. Outros exemplos há, mundo afora. A cidade norte-americana de Dayton sofria todos os anos com as enchentes. Isso ocorreu até que, há uns oitenta anos, autoridades, empresários e a população em geral uniram-se, levantaram fundos, encomendaram um bom projeto e obras foram feitas e que, até hoje, evitam as enchentes.

A natureza é implacável para os imprevidentes. E, como depois corrigiu o presidente Lula, em geral é mais vilã com os pobres, pois estes, em nossas cidades, geralmente moram em favelas frágeis, à beira de riachos onde é jogado lixo e esgotos. Ou em barrocas sem contenção, que desabam com as chuvas intensas, soterrando casas toscas e matando seus habitantes.

As chuvas excessivas são um perigo. Pior quando as vítimas são pobres. E pobres é o que não falta neste País. Lula ficou comovido com o que viu e, como presidente e brasileiro, logo deu ordens para minorar os sofrimentos dos flagelados. Determinou, de imediato, a distribuição de remédios e cestas básicas, o que já começou a ser feito. Afinal de contas, tanto remédios, quanto cestas com alimentos, já são produtos prontos, montados por vários programas assistenciais de governo e que podem, numa emergência, dispensar a excessiva burocracia, concorrências públicas e outros fatores que poderiam fazer com que demorassem a chegar como socorro de emergência.

O ministro Ciro Gomes prometeu, desde logo, programas habitacionais, garantindo que não serão construídas casas em locais de risco, onde as chuvas já destruíram as que lá existiam. Lula prometeu casas aos desabrigados, mas, cauteloso, já foi dizendo que não fará milagres. São necessários levantamentos das necessidades físicas e de recursos e aí apelou para os três níveis de governo e para a iniciativa privada. E são necessários, também, programas habitacionais com toda a sua tecnicidade, encontro de áreas disponíveis, recursos financeiros, concorrências públicas. Enfim, uma enchente cai e destrói em horas, minutos. Mas para consertar, são necessários meses, anos.

É humano ter pena dos desabrigados. É urgente ampará-los no que for possível. Mas é indispensável pensar-se, desde logo, em obras permanentes de defesa contra as enchentes e a construção de habitações seguras. Urgente porque isso demora e as chuvas destroem e matam todos os anos. E há muitos anos.