O relatório sobre TV digital discutido hoje (10) em
reunião com sete ministros no Palácio do Planalto é favorável ao padrão japonês,
informaram técnicos envolvidos na elaboração do documento. O texto não é
taxativo, mas alinha um conjunto de avaliações que apontam para a tecnologia
nipônica como a melhor escolha. O documento seria entregue ainda hoje ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelo fato de o relatório
praticamente apontar um vencedor, havia expectativa que Lula anunciasse sua
decisão ainda hoje. Essa hipótese, porém, foi afastada logo pela manhã pelo
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando
Furlan. Ele explicou que o governo ainda buscava um modelo que trouxesse mais
investimentos e tecnologia. "Nossa maior preocupação é fazer uma boa negociação
que nos permita, também, exportar depois e não simplesmente fazer uma escolha
como se escolhe uma roupa", afirmou.

Furlan faz parte do grupo de
negociadores que defendeu nos bastidores o adiamento da decisão, para tentar
obter uma proposta comercial mais vantajosa. Nos últimos dias, os europeus
reforçaram seu lobby sobre o governo e acenaram com a possibilidade de instalar
uma fábrica de semicondutores no Brasil, um investimento a ser feito pela
franco-italiana ST Microeletronics. Com isso, abalaram a certeza que os
japoneses ganhariam a disputa. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
disse a um grupo de representantes da sociedade civil que uma fábrica de
semicondutores seria a "pedra de toque" da escolha a ser feita pelo governo. Ela
abriria a possibilidade de produzir e exportar produtos de alta tecnologia made
in Brazil.

O adiamento da decisão daria tempo para os japoneses e
europeus melhorarem sua oferta. A Europa, porém, precisaria fazer uma oferta
bastante agressiva, para suplantar a clara vantagem estabelecida pelos japoneses
desde o início das discussões.

Participaram da reunião de hoje, além de
Furlan e Dilma, os ministros das Comunicações, Hélio Costa, da Fazenda, Antonio
Palocci, do Planejamento, Paulo Bernardo, da Educação, Fernando Haddad, e da
Cultura, Gilberto Gil. O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e das
Relações Exteriores, Celso Amorim, mandaram representantes.

Avanços – A
avaliação técnica constante do relatório é favorável ao padrão japonês por ser
essa a tecnologia mais nova e, por isso, já incorporar os avanços encontrados
por americanos e europeus. Segundo um dos interlocutores, nenhuma dessa
tecnologias foi testada em um mercado como o brasileiro. Nos Estados Unidos, 80%
das transmissões de TV são a cabo. Na Europa também é grande a participação da
TV paga. No Brasil, 95% do sinal de televisão é aberto e gratuito.

Outra
vantagem dos japoneses em relação aos europeus e americanos está na
possibilidade de investimentos no País. Eles estudam a possibilidade não só de
produzir no Brasil os semicondutores como também telas de plasma e LCD. Já os
europeus só analisam a eventual instalação de uma planta de
semicondutores.

Existe, também, o fator político. As grandes emissoras de
TV preferem o padrão japonês e o ministro Hélio Costa, ex-funcionário da TV
Globo, sempre trabalhou em favor da tecnologia nipônica. Embora não admitam em
público, os técnicos comentam nos bastidores que contrariar os interesses das
emissoras não seria uma boa idéia, sobretudo em um ano eleitoral