Brasília – Exportadores e importadores divergem quanto ao valor ideal para o dólar no Brasil. Enquanto os exportadores afirmam que o dólar valorizado – à beira de romper a barreira dos R$ 2 – pode prejudicar as vendas brasileiras e ainda reprimir a produção nacional, os importadores afirmam que o câmbio desvalorizado é o caminho para o país ampliar modernizar o seu parque industrial.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior, José Augusto de Castro, a preocupação com a apreciação do real deve se redobrar, porque os efeitos para a indústria local recaem principalmente sobre os setores que mais empregam.

"Se analisarmos as commodities, não veremos problemas, porque com o preço elevado há uma compensação do câmbio", diz, referindo-se, por exemplo, a setores como álcool e açúcar.

Para Castro, a principal interrogação está nos produtos industrializados. "Muitas fábricas de calçados e couros fecharam suas portas em 2006 por causa do câmbio. A conseqüência disto foi a demissão de 200 mil trabalhadores".

De acordo com os últimos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as vendas de calçados para o exterior caíram 3,5% entre março de 2006 ano e março de 2007. No desempenho do trimestre, os calçados tiveram uma recuperação de  1,2%, provocada mais pelo aumento de preços que pela quantidade de produtos vendidos.

O problema, segundo Castro, não está tanto no comércio exterior, mas na disputa no mercado interno. A concorrência, especialmente com produtos chineses, tem levado ao fechamento das fábricas. Em outros setores, como eletrodomésticos, ele ressalta que tem havido a substituição da produção local pela importação de artigos de outros países.

"Muitas multinacionais do setor elétrico deixaram de produzir no Brasil. Preferem comprar da China, onde o custo em dólar sai bem menor, e trazer os produtos para vender aqui".

O setor automotivo, um dos que mais se queixam da apreciação do real, teve queda de 11% nas exportações na comparação entre março do ano passado e março de 2007. Enquanto isso, a entrada de veículos de passeio no país aumentou 78% no mesmo período.

Embora seja acirrada a competição com produtos importados, no mercado interno também há o que comemorar. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a concorrência internacional não é suficiente para frear a produção nacional, cuja venda no primeiro bimestre de2007 cresceu 14,9%, com 299,7 mil unidades licenciadas. A estimativa para o trimestre é que as vendas tenham crescido 18% na comparação com os três primeiros meses de 2006.