A queda de 0,85 ponto porcentual da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), determinada hoje (31) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), ficou aquém das expectativas da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). A avaliação foi feita à Agência Estado pelo presidente da entidade, Paulo Godoy. "Entendemos que a perspectiva de inflação para o ano, hoje abaixo de 4%, e a queda do risco país abriram condições técnicas para uma queda maior da TJLP. No entanto, o mais importante é que continua a trajetória de queda desta taxa, o que pode expandir os investimentos do País em infra-estrutura", analisou.

Segundo Godoy, a mudança de comando no Ministério da Fazenda, com a entrada de Guido Mantega, "já está sob controle" e não deverá resultar em sobressaltos na economia. Por este motivo também, argumentou Godoy, a TJLP poderia ter caído mais. "No ano passado, o BNDES deixou de aplicar R$ 20 bilhões porque os juros ainda inibem os investimentos no País. Hoje, na carteira do banco, constam R$ 120 bilhões em projetos de infra-estrutura que estão paralisados e que, pelo menos em parte podem ser implementados com a mudança de ânimo que a queda de TJLP provoca no empresariado", ponderou.

Godoy admitiu que os técnicos da Abdib chegaram a esperar para uma redução de 1,5 ponto porcentual para a TJLP e, por isso, um primeiro corte de 0,85 ponto porcentual não pode ser considerado frustrante. "Estamos muito próximos do que queríamos, e o mais importante agora será a Selic manter a trajetória de queda e avançarmos na agenda setorial, com o estabelecimento e aperfeiçoamento dos marcos regulatórios do setor de gás natural, saneamento básico e das agências reguladoras, parados no Congresso Nacional", opinou.