Inaugurada há três semanas, a penitenciária federal de Catanduvas está pronta para receber os líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o Ministério da Justiça. O governo de São Paulo selecionou um grupo de 40 bandidos mais perigosos, entre os quais Marcos Camacho, o Marcola, líder da facção. A transferência depende de aprovação da Justiça Federal e será feita em sigilo, por segurança. Mas os pedidos ainda precisam ser apresentados oficialmente ao Judiciário

Setores da inteligência dos governos federal e paulista levantaram a possibilidade de resistência à transferência, com risco de ataques aos policiais envolvidos na operação. O retorno das hostilidades, com atentados a agentes penitenciários e policiais, desde o final de junho, seria uma reação à medida, que pode ser colocada pelo PCC na pauta das próximas negociações. Marcola é um dos que mais resistem à transferência

Com 208 celas individuais de segurança máxima, Catanduvas é a primeira das cinco unidades do Sistema Penitenciário Federal que vão funcionar como espécie de estoque da saturada estrutura carcerária dos Estados. Nos presídios da União, a convivência entre os condenados será mínima

A transferência de líderes de facções criminosas faz parte do plano acertado entre o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), para acabar com a violência no Estado. O diretor do Departamento Penitenciário do ministério, Maurício Kuene, disse que o pedido não foi formalizado. "Soube disso pela imprensa.

Segundo Kuene, cabe à Justiça Federal designar os presos que serão transferidos. Ontem, a 1ª Vara Criminal Federal de Curitiba informou que ainda não recebeu nenhum pedido para a transferência de presos

A Associação Brasileira de Juízes Federais (Ajufe) pediu ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, de Porto Alegre, que reveja a decisão de concentrar na 1ª Vara Criminal de Curitiba a responsabilidade pela escolha dos presos que serão levados a Catanduvas

A entidade defende que o trabalho seja compartilhado por um "conselho de juízes". Para o presidente da Ajufe, Walter Nunes da Silva Júnior, atribuir a um juiz essa tarefa é um risco muito grande à sua segurança

Ontem, o Diário Oficial da União publicou portaria permitindo o porte de arma para agentes penitenciários de todo o País, mesmo fora do expediente. Eles vão passar por treinamento e fazer exames de aptidão técnica e psicológica.