Três vezes governador, duas prefeito e uma senador: o “forte adversário”, Amazonino Mendes (PTB), foi a principal causa para Serafim Corrêa (PSB) ter sido o único prefeito não reeleito do País. A avaliação, do próprio prefeito de Manaus e de seus aliados, também se complementa em justificativas como revoada de aliados para candidatura própria ou outros apoios e uma fraca publicidade das ações da prefeitura, só começada há seis meses. “Houve um recall de eleitores de Amazonino, frustrados das duas últimas eleições, para governo e prefeitura”, disse Serafim.

Para o senador Artur Virgílio (PSDB), contudo, não dá para comparar o cenário da capital amazonense ao de qualquer prefeito reeleito no país. “Em todas as cidades era no estilo de Porto Alegre, um sólido José Fogaça (PMDB) contra uma quase desconhecida Maria do Rosário (PT)”, afirmou. O senador ainda disse que “Serafim fez e muito, mas errou na sisudez de um governo sem gastos em marketing”. “Teve quase metade dos votos da cidade, foi um vitorioso que não teve a prefeitura reprovada”, disse.

Virgílio, junto com o ex-deputado federal Pauderney Avelino (DEM), foram lembrados por Serafim como seus “grandes aliados”, que o ajudaram a chegar ao segundo turno quando todas as pesquisas no primeiro turno apontavam o vice-governador Omar Aziz (PMN) como o segundo colocado, atrás do favorito Amazonino.

Na opinião do vice-prefeito e vereador eleito Mário Frota (PDT), a pouca publicidade de Serafim esbarrou ainda em um secretariado “mais técnico que político”. “Nas vésperas da eleição de segundo turno, a secretária de meio ambiente estava fazendo seus atos desastrosos, como tirar moradores da beira de igarapé sem terem para onde ir”, afirmou. A reportagem procurou a secretária Luciana Valente, mas não obteve resposta.

Lula

Outra razão apontada para a derrota foi o fato de partidos como PT, PCdoB e PL debandarem da administração para apoiar outros candidatos ou sair com candidatura própria. “Um dia falei a Serafim, vendo o palanque lotado do outro candidato, que nós (o prefeito, o DEM e o PSDB) cabíamos em uma van, nem precisa, de microônibus”, disse Virgílio. O prefeito lamentou ainda o fato de não ter recebido o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Fiquei magoado, porque sempre apoiei o presidente Lula em todas as suas derrotas ou vitórias.” Lula manteve neutralidade em Manaus.