Foto: Agência Senado

 Pedro Simon: é bem maior.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) condenou a tentativa do governo e do PT de reduzir toda a corrupção já identificada nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) a um simples episódio de "caixa dois". Em discurso ontem no plenario, ele reconheceu a gravidade da prática de uso de dinheiro, em campanhas eleitorais, que não seja declarado na prestação de contas dos partidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas alertou que há muito mais irregularidades para serem consideradas.

Para Simon, é indispensável distinguir o uso de dinheiro não declarado em campanhas eleitorais de outros episódios, caracterizados por corrupção sistemática. Citou, como exemplo, a distribuição de vultosas quantias, em dinheiro vivo, feita pela diretora-financeira da SMP&B Simone Vasconcelos, em hotéis de Brasília ou na sede do Banco Rural.

"Não dá para misturar as coisas. Essa é uma tese diabólica, porque "caixa dois" é crime sério, mas não se compara com a amplitude e gravidade da corrupção nos Correios, nos fundos de pensão, nos contratos fraudulentos em prefeituras administradas pelo PT, além dessa massa de dólares vindos do exterior que as CPIs já identificaram", disse.

Simon lembrou que as CPIs não podem prender ninguém, mas afirmou que um relatório bem definido pode propor indiciamento de pessoas ao Ministério Público, a quem cabe encaminhar pedidos de punição ao Poder Judiciário. Ele declarou ter certeza de que o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, não engavetará os processos que forem encaminhados, dando à sociedade as respostas de punição dos culpados que ela deseja.

O senador gaúcho condenou, ainda, as ações do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação aos assuntos do Legislativo. "O Supremo está indo para o exagero, ao exigir que o relatório do deputado Júlio Delgado sobre José Dirceu seja refeito e votado novamente. Ele deveria ter levado em consideração que o placar de 13 votos sim, e um não, representava prova de um desejo inequívoco do Conselho pela cassação. Dirceu ficará um pouco mais, empatando a fila dos demais deputados ameaçados de cassação, o que não é bom para o País", destacou.