Arquivo / O Estado
Arquivo / O Estado

Requião: "Foi um discurso para divertir".

O governador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não abordou o ponto principal da crise no seu pronunciamento  feito durante a reunião ministerial, em que pediu desculpas e disse ter sido traído. Para o governador do Paraná, o centro da crise está na continuidade da política econômica herdada do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, que Requião define como a verdadeira "traição".

"Foi um discurso para divertir, do italiano divertere, que significa desviar do que importa. O verdadeiro eixo da crise é a continuidade da política econômica do Fernando Henrique Cardoso. Nós votamos no Lula para que o Brasil mudasse. Para que sua vitória significasse a volta da esperança, da participação dos brasileiros nos mercados de trabalho e de consumo, e para que houvesse respeito pela aventura de vida de cada brasileiro. Mas o que vemos é a continuidade da política econômica. E isso sim, sem sombra de dúvida, é traição", afirmou o governador.

Para ele, a pergunta sem resposta ainda é quem se beneficiou com o suposto esquema de compra de apoios de deputados no Congresso Nacional. "Ninguém pergunta quem pagou e quem se aproveitou da corrupção. Ninguém diz que o ministro Antônio Palloci foi o coordenador da campanha do Lula, mas ficam procurando pequenas figuras corrompidas, que devem mesmo perder o mandato e ir pra cadeia. Mas a mudança essencial para o país é a econômica e não a eleitoral", declarou.

"Se houve compra de parlamentares não foi para colocá-los na mesa de cabeceira ou para fazer uma exposição de corruptos. Eles foram comprados para a manutenção do regime econômico e para o prosseguimento da tese entreguista do Banco Central independente e a manutenção dos juros absurdos. Uma política que investe no Brasil menos de 5% dos recursos do país e utiliza o resto para pagar juros e uma dívida que sequer sabemos se de fato a temos", disse o governador, que não acredita em solução para a crise via reforma política.