Requião aceita a demissão de Botto

Depois de divulgar em nota oficial que o procurador Sérgio Botto de Lacerda permaneceria na função de procurador-geral do Estado, o Palácio Iguaçu recuou. No início da noite, a informação foi retirada do site da agência de notícias e Botto de Lacerda confirmou que o governador Roberto Requião (PMDB) aceitou seu pedido de demissão.  

Até ontem à noite, ainda não se conhecia o nome do substituto de Botto de Lacerda na Procuradoria Geral do Estado. Durante a semana, cogitou-se um convite do governador à procuradora do Ministério Público Federal, Odília Ferreira da Luz.

Há mais de uma semana, o procurador vem aguardando uma resposta de Requião. A saída do procurador é um episódio ainda mal explicado, em que Botto de Lacerda acusou setores do governo de tentarem prejudicá-lo. Não forneceu nomes nem detalhou que tipo de ação estaria sendo articulada para desgastar sua credibilidade. ?Uma série de motivos pessoais que se somam com a dificuldade de relacionamento dentro do governo. Estou com o pedido aceito. Numa conversa amigável com o governador?, desconversou, mais uma vez ontem, ao ser questionado sobre os motivos de sua saída.

Botto disse que está em férias oficialmente desde a segunda-feira passada, 5, e que somente voltará ao trabalho como procurador em dezembro. Ele tem férias acumuladas que vai juntar com uma licença-prêmio de seis meses. ?Continuo amigo de Requião e de sua família?, disse.

Vazamento

O impasse da permanência do procurador-geral começou com o mal-estar provocado pelo vazamento de trechos da carta de demissão, que enviou ao governador e que vinha sendo mantida em segredo pelo Palácio Iguaçu. Mesmo assim, Requião demorou a se posicionar e o governo negou todas as versões apresentadas para justificar o afastamento do procurador.

Botto de Lacerda desmentiu que sua decisão de pedir afastamento do cargo tivesse alguma relação com a discussão pelo conselho de administração da Sanepar de um contrato entre a empresa e a Pavibrás, contratada para algumas obras no litoral do Estado. O procurador admitiu apenas ?desentendimentos? com outros integrantes do governo, sem se referir a fatos específicos.

Nota relâmpago

Na nota oficial divulgada ontem no final da tarde, que confirmava a permanência do procurador, o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, desviou-se dos motivos do conflito. Limitou-se a classificar de ?boatos? as informações sobre as possíveis razões do desligamento de Botto de Lacerda do governo. ?Além disso, nenhuma comunicação nesse sentido chegou ao Palácio Iguaçu e o governador já adiantou que irá rejeitar qualquer pedido de demissão?, declarou o secretário.

Na nota, Iatauro referiu-se ao procurador como um dos principais auxiliares do governador, com quem compartilha ideais, e que Botto de Lacerda continuava usufruindo da confiança de Requião.

Sérgio Botto de Lacerda está há quatro anos à frente da Procuradoria Geral do Estado. Além da participação nas principais vitórias do Estado sobre contratos lesivos firmados pelo governo anterior, o procurador-geral participa dos conselhos da Copel, Cohapar e Administração Portuária. 

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