Anfitrião da presidente Dilma Rousseff, que nesta quinta-feira, 30, entregará 3.000 apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida, o prefeito de Maricá e presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, defendeu que ela se aproxime “do povão” e mude o ministério, a começar pelo titular da Casa Civil, o ministro Aloizio Mercadante. Disse também que o PDT não deveria continuar à frente do Ministério do Trabalho, pois votou contra o governo no Congresso.

“A presidente tem que ir para o povão. Tem que enfrentar a crise com uma agenda positiva voltada ao desenvolvimento. Precisa fazer uma reforma ministerial que incorpore a agenda da sociedade, que chame os movimentos sociais, as centrais sindicais, a juventude. Dez entre dez políticos e empresários reclamam da Casa Civil. Mercadante tem dificuldade de interlocução. Ouço isso o tempo todo. É que as pessoas têm medo de falar, eu não tenho”, disse Quaquá.

O presidente do PT-RJ afirmou esperar mudanças na pasta do Trabalho, ocupada pelo pedetista Manoel Dias. Os deputados do PDT votaram em peso pelo fim do fator previdenciário e contra medidas do ajuste fiscal. “O PDT não vota com o governo. É hora de colocar no Ministério do Trabalho alguém que se mobilize na defesa do emprego, do desenvolvimento.” Mercadante e Dias não comentaram as críticas.

Para Quaquá, não há razão para temer hostilidades a Dilma na entrega do Condomínio Carlos Marighella, na localidade de Itaipuaçu. “A presidente entregará 3 mil casas para 12 mil pessoas. Ela tem que ir para a rua reafirmar o governo popular que o presidente Lula fez e que ela continua. O povão nunca teve tanta coisa boa.”

Entre os cotados para disputar a sucessão de Quaquá em Maricá está Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela mora em Maricá e trabalha na firma Maricá Já Comunicações e Eventos, da qual é sócia a mulher de Quaquá, a deputada estadual Rosangela Zeidan.

Adepto do estilo “bateu, levou”, Quaquá publicou nas redes sociais, em fevereiro, mensagem conclamando os petistas a reagirem a ataques ao partido. “Contra o fascismo, a porrada”, escreveu. No início de 2014, ele anunciou o fim da aliança do PT com o PMDB no Rio, com a saída dos petistas do governo, depois de sete anos.

Para a sucessão do prefeito do Rio, o peemedebista Eduardo Paes, Quaquá defende a manutenção da aliança PMDB-PT. O rompimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o governo não impedirá a aliança na capital, segundo o petista. “Existem vários PMDBs. A tendência é de aliança do PT com o PMDB do Eduardo Paes. Com o do Eduardo Cunha, nem pensar.”

Quaquá, no segundo mandato, comprou briga com empresários de transporte ao adotar tarifa zero em ônibus da Empresa Pública de Transportes. Duas empresas brigam com a prefeitura na Justiça contra a medida. Ontem, em fiscalização da prefeitura na rodoviária, o prefeito foi agredido por um homem quando dava entrevista ao vivo para emissora de TV. O agressor foi preso.