O deputado Mauro Moraes será destituído da presidência da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa. A indicação cabe à bancada do PMDB, que decidiu substituir Moraes por um deputado mais alinhado às posições do governo.

A justificativa é que Moraes não representa as posições do partido e do governo na comissão. O líder da bancada do PMDB, Waldyr Pugliesi, disse que a atuação do deputado não se coaduna com a ação do governo do Estado. “Não é punição. É que ele está decaindo na confiança do governo. Uma coisa é fazer o contraditório. Outra é bater no governo”, afirmou Pugliesi.

Uma das provas desse descompasso que incomoda os peemedebistas é a série de audiências públicas que Moraes promove como presidente da Comissão para debater a política de segurança pública do Estado.

Nestas reuniões públicas, Moraes faz severas críticas à Secretaria de Segurança e sua atuação no combate à criminalidade. Mas este é apenas um capítulo de um conflito que vem se dando há algum tempo entre Moraes e o partido.

Começou antes, quando Moraes passou a votar contra projetos de iniciativa do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de onde também foi removido.

No ano passado, o caldo entre o deputado e o PMDB entornou, novamente, quando Moraes apoiou a reeleição do prefeito Beto Richa (PMDB), contra o então candidato peemedebista e atual secretário especial de governo, Carlos Augusto Moreira Junior.

Desde então, Moraes defende abertamente o apoio do PMDB a Beto Richa para a eleição ao governo e continua contrariando a liderança do governo em algumas votações.

Uma das ocasiões foi no mês passado, durante a votação do projeto de reajuste dos servidores públicos estaduais. Moraes apresentou emenda propondo reposição salarial para policiais militares e civis de 23%, quando o governo propunha 6%.

O deputado acabou retirando a emenda, mas depois de uma desgastante discussão com a liderança do governo. Os demais deputados peemedebistas pressionaram a liderança da bancada, alegando que Moraes faz demagogia com os servidores e encena o papel de herói da categoria, enquanto eles votam com o governo e ficam como os vilões da história.

Não muda

Moraes disse que não altera seu discurso nem sua atuação. “A minha forma de proceder está incomodando alguém, mas eu não posso mudar. Eu faço as audiências públicas para discutir o caos da segurança pública no Estado. E eu tenho que falar e cobrar isso do governo”, justificou o deputado.

Sobre sua posição de apoio à candidatura do PSDB ao governo, Moraes afirma que não é o único a pensar dessa forma na bancada. E que apenas expõe publicamente o que os demais deputados escondem da opinião pública, mas defendem nos bastidores.