Apesar de não ter definido um valor total de perdas decorrentes com a corrupção, a Petrobras identificou 52 empreendimentos e projetos relacionados às empresas envolvidas na Operação Lava Jato no período investigado, entre 2004 e 2012, quando Paulo Roberto Costa era o diretor de Abastecimento da estatal. Segundo o levantamento, quase a metade dos empreendimentos analisados foram gestados na diretoria de Abastecimento: foram 21 projetos que tiveram seus valores reavaliados, embora a companhia não tenha especificado quais os projetos e valores de investimento tenham sido reavaliados.

Em carta aos investidores, a presidente Graça Foster reforçou a interpretação de que a estatal foi envolvida nas investigações de corrupção após a prisão de Costa, em março. Segundo a executiva, a operação Lava Jato “alcançou a Petrobras com a prisão do ex-diretor de Abastecimento”. A estatal também ressalta em diferentes passagens do balanço o período utilizado para reavaliar os contratos firmados, entre 2004 e 2012, quando o ex-diretor era responsável pela área de Abastecimento.

No documento, a estatal sustenta também que tem baseado suas respostas às denúncias a partir das informações contidas nos depoimentos dos envolvidos no esquema, como o próprio Paulo Roberto Costa, que indicou a cobrança de propina de 3%, em média, nos contratos da petroleira. A empresa também fez as avaliações sobre os contratos a partir dos depoimentos do doleiro Alberto Youssef e os executivos Julio Gerin de Almeida Camargo (Grupo Toyo) e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (Grupo Setal).

Pelo teor dos depoimentos, a estatal avalia que “determinadas empresas contratadas e fornecedores brasileiros usaram recursos oriundos dos contratos com a Petrobras para efetuar pagamentos indevidos a partidos políticos, funcionários da Petrobras e a outras pessoas, de forma a obter contratos”.

Além dos empreendimentos na área de Abastecimento, a empresa também reavaliou ativos na área de Gás e Energia (11) , de Exploração e Produção (19) e um projeto na área corporativa, todos no período em que Costa atuava na diretoria da estatal. Ao todo, os 52 empreendimentos, segundo a companhia, têm avaliação de R$ 188,4 bilhões – o que equivale a cerca de um terço do total de ativos da estatal, avaliados em R$ 597 bilhões. As informações constam no próprio balanço da empresa, divulgado nesta madrugada após dois adiamentos.

De acordo com o documento, foram selecionados para análise de valor e impacto da corrupção os “contratos de fornecimento de bens e serviços firmados entre a Petrobrás e as empresas citadas na Operação Lava Jato”. Segundo a empresa, a partir dos depoimentos colhidos nas investigações, foram identificados “atos ilícitos, como cartelização de fornecedores e recebimentos de propinas por ex-empregados, indicando que pagamentos a tais fornecedores foram indevidamente reconhecidos como parte do custo de nossos ativos”.

A petroleira também informou que até o momento “não tem ciência de evidências materiais” de que “outros contratos fora do período” sob investigação possam ter sido afetados pelo esquema de corrupção. Ainda assim, a estatal avalia que “outros ex-executivos da Petrobras e executivos de empresas fornecedoras de bens e serviços para a Petrobras foram ou poderão ser acusados como resultado da investigação”, segundo uma nota explicativa da companhia, na parte final do balanço.