Derrotado na convenção de sábado do PMDB, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) questionou hoje, da tribuna do Senado, o comportamento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, segundo ele, teria agido politicamente ao cassar, na madrugada de sábado, liminar concedida pelo ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, suspendendo a convenção do partido.

?Ele foi partidário?, afirmou o senador, que se baseou em informações da imprensa segundo as quais Nelson Jobim teria ainda instruído o PMDB na elaboração do recurso à decisão do ministro Sálvio. ?É um problema sério e isso ameaça a democracia?, disse o senador. Na convenção, Jobim obteve 218 votos favoráveis à sua candidatura à presidência da República, mas, foi derrotado pelo grupo favorável à coligação com o PSDB que obteve 464 votos.

Requião não conseguiu, portanto, o apoio de senadores do PMDB que estavam em plenário ontem. ?Não acredito que o ministro Jobim tenha feito isso?, afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), acrescentando que o presidente do TSE deverá dar esclarecimentos sobre o episódio ocorrido na madrugada.

?Um ministro da estirpe de Nelson Jobim está acima de questões partidárias e eleitorais. Ele foi acionado na madrugada como presidente da Corte e atenderia a qualquer partido?, defendeu o senador Iris Rezende (PMDB-GO). O senador comandou o PMDB goiano que só decidiu votar a favor da coligação depois de um acordo eleitoral com o senador José Serra, que prometeu se manter neutro nas eleições majoritárias em Goiás. ?É uma grita normal de quem perdeu feio numa convenção?, disse o líder do governo no Senado, Artur da Távola (PSDB-RJ), preferindo não responder ao discurso do senador paranaense.

Requião denunciou também o governo federal de ter agido durante a convenção para reverter votos dos dissidentes. ?Antes nós tínhamos 368 votos?, disse Requião. ?Eu não sei mais nada. A caneta de Fernando Henrique tem muita força?, observou Pedro Simon, questionando sobretudo o comportamento do grupo ligado ao senador José Sarney. ?Ele fala uma coisa e seus senadores fazem outra?, completou Simon, referindo-se aos votos dados à aliança por correligionários de Sarney na convenção.