A disposição do PSDB do Paraná de lançar uma candidatura própria ao governo do Estado causou desconforto no PDT, mas o senador Osmar Dias, presidente do partido e pré-candidato ao governo, e o vice-presidente estadual do PDT, deputado Augustinho Zucchi, minimizaram o impacto da decisão da executiva estadual tucana que, após uma reunião anteontem, anunciou que o partido planeja continuar coligado ao PDT e outras siglas, mas “preferencialmente” em torno de um candidato tucano nas eleições do próximo ano. E apresentou dois nomes: o senador Alvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa.

Osmar afirmou que assim como o PDT tem o direito de trabalhar a sua candidatura para a disputa, o PSDB dispõe da mesma prerrogativa. E voltou a dizer que o entendimento para um acordo em 2010, alinhavado no ano passado, ainda não foi desfeito. “Quando fizemos esse acordo, foi em torno de uma mesa conversando abertamente, olho no olho. Até agora, nada foi alterado”, disse.

“Essa palavra ‘preferencial’ não tem peso de ‘é’. Em nenhum momento, o Beto explicitou a vontade de disputar o governo com o Osmar. Eu simplesmente não acredito que ele vá disputar com o Osmar”, reagiu o dirigente pedetista.

Para Zucchi, o lançamento de Alvaro e a possibilidade da candidatura de Beto fazem parte de uma estratégia partidária dos tucanos, mas que não implica um desdobramento eleitoral. “Cada partido tem que estabelecer suas diretrizes. Em nenhum momento houve a quebra de entendimento”, afirmou Zucchi.

O pedetista manifesta a crença que permeia o discurso dos integrantes do partido de que o apoio de Osmar às eleições de Beto em 2004 e 2008 vá ter a contrapartida dos tucanos na disputa ao governo para 2010. Em 2006, apenas parte do PSDB apoiou Osmar. Um grupo esteve com o adversário, o governador Roberto Requião (PMDB).

Entre os Democratas, onde o presidente estadual, deputado federal Abelardo Lupion, já declarou que prefere Osmar como candidato a governo da mesma aliança que reelegeu Beto, o deputado estadual Nelson Justus disse que a frente de partidos que elegeu o prefeito de Curitiba tende a rachar na eleição do próximo ano. “Estão se precipitando. Tem gente querendo avançar o sinal”, criticou o presidente.

Justus acha que a pressão das bases partidárias vai forçar a que algumas siglas aliadas ao grupo apresentem candidaturas próprias ao governo. “A aliança dificilmente se mantém, porque os partidos somente vão se fortalecer se tiverem candidaturas próprias”, disse.